George Orwell – A Revolução dos Bichos

Após várias tentativas de publicação, o ex-combatente na Revolução Espanhola e escritor indiano Eric Arthur Blair (conhecido pelo pseudônimo de “George Orwell”) lançou, em 17 de agosto de 1945, um dos romances mais aclamados pelos leitores ocidentais e orientais do século 20: A Revolução dos Bichos. Revolução essa que retrata, de maneira metaforicamente animalizada e satírica, a Rússia de 1917 durante a queda do regime absolutista do Czar Nicholas II (o fazendeiro Sr. Jones) e a ascensão dos ideais socialistas promovidos pelo Partido Bolchevique com as figuras de Lênin (não é citado na obra), Trotsky (o porco Bola-de-Neve) e Stalin (o porco Napoleão). Logo após o sucesso da expulsão do Czar, os russos (os animais) gozaram de uma qualidade de vida excepcional na qual a liberdade era pura e tudo era de todos, até caírem no governo ditatorial stalinista (napoleônico), quebrando os sonhos de uma sociedade ideal.

Submissos às regras do Sr. Jones, os animais da Granja do Solar iniciam uma revolução seguindo as idéias do porco Major, o qual proclamava ao som da canção “Animais da Inglaterra” (Beasts of England) uma vida na qual todos eram iguais e viviam em prol deles mesmos. A expulsão de Jones foi um sucesso. Os dias sem os humanos na granja eram quase utópicos: a liberdade existia, o trabalho era marcado apenas pela necessidade de subsistência e não havia espaço para o ciúme ou a inveja. Os porcos, considerados os mais inteligentes, guiavam através dos costumes (common laws) a sociedade, mudando o nome do estabelecimento para Granja dos Animais e impondo as seguintes regras:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.

As ovelhas, cujas capacidades mentais não eram avançadas, baliam: “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”.

Mas, havia um grave problema: Bola-de-Neve e Napoleão sempre divergiam de opinião. E na questão de manter o Animalismo (Socialismo) vigente, aquele queria proliferar as idéias igualitárias mundo afora, e este tinha em mente o investimento em armamentos para defenderem-se de possíveis invasões. E de fato, invasões ocorreram (guerras civis). Após a vitória em todas elas, Napoleão decretou Bola-de-Neve traidor e expulsou-o da granja, mantendo então, o poder absoluto sobre ela.

Sem Bola-de-Neve por perto, a vida mudou. Os que sentiam sua falta eram igualmente considerados traidores e então, executados; os porcos líderes começaram a adotar hábitos humanos, obtendo-se assim, um privilégio descarado. As novas regras eram as seguintes:

4. Nenhum animal dormirá em cama (com lençóis).
5. Nenhum animal beberá álcool (em excesso).
6. Nenhum animal matará outro animal (sem motivo).
7. Todos os animais são iguais (mas alguns são mais que outros).

Mas os animais viam que o governo de Sr. Jones era ainda pior.

A hipocrisia estabeleceu-se: Napoleão começou a propôr uma boa imagem dos humanos, a vender alimentos que até então eram estritamente dos animais e a impôr trabalho excessivo para a construção de um moinho (que foi destruído duas vezes em guerras). O corvo Moisés (igreja ortodoxa) entrou em ação para acalmar os ânimos da população que começava a se rebelar, propondo uma vida no céu, onde as nuvens eram de algodão e todos eram felizes.

As ovelhas, alienadas, agora baliam: “Quatro pernas bom, duas pernas melhor!” ao ver que os porcos agora andavam sob duas patas.

Napoleão então, marcou uma reunião (Reunião de Terãa, Irã) com outros dois humanos (o então presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt e o primeiro ministro britânico, Winston Churchill) onde todos bebiam e apertavam as mãos, mostrando então, que já não havia diferença entre porcos e humanos, embora eles tornassem a conflitar ao fim do encontro.

A Revolução dos Bichos é a maneira mais fácil e interessante de aprender o que ocorreu durante a Revolução Russa, sendo recomendadíssimo inclusive para os alunos do Ensino Médio, pois Orwell conseguiu relatar o fato histórico de uma maneira universal.

A relevância social deste livro foi enorme. Nos Estados Unidos, durante a Primeira Guerra Mundial, este trabalho foi proibido pelo fato de tratar os comandantes russos como porcos (a Rússia era aliada na guerra), mas, anos depois, durante a Guerra Fria, a obra foi disseminada, já que os russos eram inimigos na dita Corrida Armamentista.

Na Ucrânia (ainda parte da URSS), serviu de inspiração aos socialistas que buscavam a manuntenção do sistema. E, ainda hoje, A Revolução dos Bichos é proibida nos países muçulmanos, por ser uma afronta às autoridades.

É possível retirar a idéia então, de que se o homem permanecer o mesmo, não há sistema político ou social que seja capaz de nos trazer a paz, apesar do autor ser socialista assumido.

Por Italo Lins

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One thought on “George Orwell – A Revolução dos Bichos

  1. Hi, i just play with you in worms armageddon …. My wife has torn off me from the computer )
    So if you like Dostoevski etc, try to read “Evenings on a Farm Near Dikanka” by Nikolai Gogol, famous russian writer. If you want, you may contact me by email dnskse[at]gmail[dot]com. See ya )

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