Sófocles – Édipo Rei

 
Entre os anos de 500 e 400 a.C, os principais dramaturgos gregos (Ésquilo, Eurípedes e Sófocles) produziram vastas obras teatrais, nas quais as temáticas centrais questionavam o destino, os dizeres divinos, as ordens imperiais e os conflitos sentimentais. O desfecho de grande parte dessas histórias são anti-heróicos e emocionantes, dando nascimento então à Tragédia Grega. Édipo Rei, obra-prima de Sófocles (496 – 406 a.C), segundo Aristóteles, é a peça que melhor define o teatro trágico grego, já que o autor conseguiu exprimir com perfeição todos os problemas e caminhos da auto-destruição humana.

Jocasta, rainha de Tebas, grávida de seu primeiro filho com o rei Laio, aguardava ansiosamente as visões do futuro emanadas pelo Oráculo, atitude já costumeira na região. A resposta, porém, nada agradou: o fruto que guardava em seu ventre mataria seu marido e casaria-se com ela. Após o nascimento da criança, a mensagem relatando o parricídio e o incesto chegaram aos ouvidos de Laio, cuja reação foi obrigar que amarrassem os pés de seu filho e levassem-o às montanhas, para que então morresse desnutrido ou que servisse de alimento aos lobos. A tentativa de homicídio entretanto, falhou. Édipo (que significa “pés-inchados”) foi levado a Pólibo, rei Corintio, que era incapaz de conceder um filho, permanecendo naquele império.

Anos depois, já crescido e consciente de suas ações, Édipo consultou o Oráculo da região na qual vivia, recebendo a mesma mensagem emitida à sua mãe biológica, Jocasta. Não sabendo que Pólibo e Mérope (mulher de Pólibo) não eram seus pais verdadeiros, foge de Corintio com o intuito de não deixar margem de chance que as atrocidades ditadas pelo Oráculo pudessem tornar-se reais. Em meio a sua fuga, encontrando uma encruzilhada, entra em conflito com uma caravana que vinha a caminho, matando então a figura que vinha sendo escoltada pelos guardas. Não sabia então, que havia matado Laio, seu próprio pai.

Às proximidades de Tebas, a Esfinge¹ (figura à esquerda), enviada pela deusa Hera para punir Laio por certas ações, devorava os transeuntes que não decifravam seu enigma. Ao ver o viajante das pernas marcadas, ela perguntou: “Qual seria o animal que anda com as quatro patas no período do amanhecer, duas ao meio-dia e três início do entardecer?” . Édipo, sem titubear, respondeu que era o homem, por engatinhar com os quatro membros quando bebê, andar ereto sobre as duas pernas quando adulto, e se apoiar na bengala quando idoso. A Esfinge, derrotada, jogou-se do precipício, trazendo paz à comunidade tebana.
¹ O mais curioso é que essa passagem não está explícita em nenhuma obra da tragédia grega, sendo relatada apenas em notas de rodapé.
Adentrando a cidade, o herói Édipo é considerado rei, casando-se então com Jocasta e concebendo quatro filhos: Antígona, Ismênia, Etéocles e Polinice. Não sabia novamente, que estava produzindo filhos que na verdade, poderiam ser seus irmãos.

Outra maldição então, assolava os ares de Tebas: o assassino de Laio deveria ser desmascarado. Édipo, agora rei, prometeu que procuraria esse criminoso até seus últimos dias, e que o mesmo deveria entregar-se para ser punido fortemente. Desesperado, chama o adivinho Tirésias, que após momentos de hesitação, afirma que o assassino do Laio é o atual rei. Essa notícia sem fundamentos deixou Édipo incrédulo, levando-o a julgar Tirésias como charlatão, pois pensava que não havia cometido tais crimes. Surge então, a idéia de convidar o camponês encarregado a levar o mitológico filho entre Jocasta e Laio às montanhas, a fim de tirar qualquer dúvida remanescente. Ao chegar ao palácio, o camponês afirma que de fato Édipo é filho de Laio, mantendo-se o caos na cidade.

Jocasta, puramente frustrada, comete suicídio enforcando-se em seu quarto. Édipo, ao ver a cena, em extrema angústia, arranca as suas órbitas oculares com um gancho para que vivesse em eterna escuridão.
A história do Édipo Rei influenciou a psicanálise freudiana, remetendo à expressão “Complexo de Édipo” uma fase da infância na qual as crianças do sexo masculino desejam manter relações sexuais com sua própria mãe, criando então, um vínculo de dualidade entre amor e raiva com o a figura do pai. O oposto desse caso (vontade sexual da filha para com o pai) é considerado “Complexo de Electra”, que futuramente será postado no blog.

Por Italo Lins
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One thought on “Sófocles – Édipo Rei

  1. O foda é que – me corrijam se eu estiver errado, principalmente Igor 😀 – os gregos – inconscientemente – conseguiram expressar todos os arquétipos e reações inconscientes que o ser humano tem, através dos mitos. Isso que eu acho fodáximo em mitologias. Não foi Freud que inventou o complexo de Édipo, muito menos os gregos. Eles souberam identificar, e Freud, soube nomear.

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