Waking Life

Não nego que eu sou um pouco suspeito para escrever uma resenha sobre a obra-prima do fantástico diretor Richard Linklater. Claro que meu interesse por filosofia – principalmente a abordagem existencialista da mesma – falou um tanto mais alto nessa hora, mas é inegável que Waking Life é maravilhoso desde o roteiro (essência) à fotografia (estrutura).
Por considerações introdutórias, eu posso dizer que a filmagem se dá em efeitos gráficos sobrepostos em gravações de pessoas reais, o que deixa um ambiente ainda mais subjetivo e transcendental. A trilha sonora é igualmente extraordinária pois a Tosca Tango Orchestra – estilo auto referente em seu nome – consegue deixar algo místico pairando no ar. Os personagens não possuem nome e, a maior parte deles, não são atores de cinema, incluindo professores, cientistas e filósofos.
Enfim o filme, que também poderia ser considerado um documentário, gira em torno do protagonista que não consegue livrar-se de seu sonho – no sentido literal. Mesmo quando ensaia despertar, percebe que ainda assim, continua sonhando. Enquanto busca a solução para seu “problema”, o mesmo depara-se com conceitos existencialistas profundamente baseados em Sartre e Kierkegaard, levando a platéia a acreditar que a vida não passa de uma corrente de ondas aparentemente desconexas, embora outras abordagens plausíveis sejam abordadas.
Em seu desenvolvimento, a história desliga-se do personagem principal, entrando em temas diversos como o individualismo (we’re all in one), evolução (de fato está ocorrendo?), liberdade (como conquistá-la?), nossa ânsia pela destruição, função da linguagem (como funciona?), instigando a mensagem de que, na verdade, “a vida compreendida é a vida vivida”.
Pela sua complexidade e intensidade, Waking Life deve ser visto e revisto, porque, a cada vez, nós encontramos outras interpretações aos enigmas e enxergamos outros detalhes visuais que podem passar despercebidos aos olhos destreinados. O que infelizmente me leva a dizer que ele não é um filme para todos. Não digo isso unicamente pelo âmbito intelectual (por favor, não vamos levar o trabalho “Ecce Homo” de Nietzsche ao pé da letra), mas porque muitos optam por uma mensagem objetiva, mastigada, e não se importam com este critério tão fundamental que nos livra da alienação moral: (tentar) entender o porquê da nossa existência.
Para fazer o download do filme via torrent, clique AQUI.

Por Italo Lins

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3 thoughts on “Waking Life

  1. Hum… esse filme consegue instigar qualquer mortal que tenha 2 neurônios a refletir diante de questões referentes a nossa existência. Indicado para a coleção de amantes da epistemologia.

  2. Eu discordo, Igor. 😀
    Mesmo com um tanto de interesse a refletir, é difícil um gostar desse filme. Porque ele não demanda um pouco ou um tanto de interesse, ele demanda MUITO.
    Além disso, a estética assusta à primeira vista. Pra ter peito pra, de fato, assistir, é necessário bastante vontade. Da primeira vez que eu fui começar a ver o filme eu me senti assustado, de verdade. Não entendi o porque, o que no final, talvez seja o objetivo do filme.
    Além disso, os cortes demoram a fazer sentido – se é que eles fazem algum sentido at all – e isso é difícil de se encarar quando se assiste a uma obra cinematográfica.
    Ainda assim, é uma obra-prima pra aqueles que sabem e tem coragem – por assim dizer – de apreciar. É um filme que eu preciso rever, também. Não acredito que só vi uma vez.

  3. Waking life é, para mim, o máximo em experiência filosófico-cinematográfica. Concordo que assusta, mas porque desacomoda, diferentemente do documentário “Quem somos nós”, que em algumas partes tem pontos vagamente similares. A obra-prima de Later é perturbadora. O documentário, por outro lado, desanda para uma baboseira tipo auto-ajuda, como todo respeito aos que curtem. Acho muito boa a análise de Italo, e concordo. Assisti ao filme pela primeira vez em 2005 e o adorei com meus olhos, ouvidos e intelecto, se é que o possuo. Não o encontrava mais em locadoras, mas recentemente comprei o DVD original, para a região 4, e talvez compre o importado, porque fiquei sabendo que nele há extras como entrevistas, making ofs e documentários. Dream is destiny! Salut!!!

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