Dogville

Sinopse:

Dogville é uma pacata cidade habitada por apenas dezesseis pessoas – mais sete crianças – cuja localização se dá no interior dos Estados Unidos da América. Enquanto os cidadãos observam a grama crescer, Grace (Nicole Kidman) surge por acaso na tentativa de despistar os gangsteres que estão misteriosamente a sua procura.
O ironicamente ingênuo escritor de literatura filosófica Tomas Edison (Paul Bettany) descobre a forasteira e, em um pulso de paixão, a convida para ficar na cidade. Como toda “boa democracia” norte-americana, a reduzida população exigiu um período de duas semanas para que ela mostrasse seu caráter, para então decidirem se ela é merecedora de permanecer ou não.

Durante seu pseudo-teste, Grace nota quão maravilhosa a cidade é pela sua simplicidade e elegância, e como as pessoas eram fraternais à primeira vista. Não imaginava porém, que acabara de entrar em uma sociedade xenofóbica – aversão a estrangeiros -, o que na verdade não é uma característica apenas de Dogville, mas de todos os humanos.

Crítica:

Lars von Trier é um gênio do cinema. Ele conseguiu fazer com que Dogville, um filme que teoricamente tem de tudo para ser homericamente entediante, ser sensacional. A começar pelo cenário praticamente inexistente e pela filmagem feita – pelo próprio von Trier – sem uso de tripés ou suportes, ou seja, com a camera na mão.

O cenário (imagem acima) faz com que usemos nossa imaginação para definir cada mínima característica do mesmo, já que algumas portas e todas as paredes não estão presentes. Inclusive plantas, nome de ruas e o cachorro Moisés são representados por desenhos que delimitam suas extensões ao chão. O que na verdade nos dá uma sensação de estar lendo um livro, onde nem tudo é estritamente definido.

A ausência de cenário e trilha sonora induz que prestemos atenção a outro fator: a interpretação. Incrivelmente, o elenco conduzido por Nicole Kidman (Os Outros) e Paul Bettany (O Código da Vinci) é inpecável, ja que as atuações elegantemente teatrais beiram à realidade com seus diálogos inteligentíssimos. Inclusive, durante as cenas de estupro, é impossível que o expectador não sinta um pouco de raiva da injustiça que se passa.

Sempre conduzido por um narrador onisciênte (John Hurt),  Dogville aborda temáticas extremamente distintas e não menos importantes como: xenofobia, anti-americanismo, falsa democracia, tendência a produzir julgamentos, estoicismo (supressão dos sentimentos), abuso sexual, fragilidade moral e sentimental, péssima educação de crianças, distorção da palavra “punir”, dor e angústia, costume de cidades pequenas e grandes, inveja, ciúme, impotência, futilidade e, ao desfecho, vingança.

O sentimento de falsa segurança passado em Dogville não é apenas o retrato de uma cidade pequena, mas de algo bem geral. Na verdade, Dogville está em todos nós. Está na essência humana.

Para fazer o download do filme via torrent, clique AQUI.

Por Italo Lins

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2 thoughts on “Dogville

  1. Ah, esse filme deve ser FO-DA.
    Conheci Lars Von Trier com Anticristo, e conversando com a galera, fiquei sabendo dos outros filmes dele. E esse concerteza é o mais bem falado.
    Só de ler isso, me deu mais vontade ainda de ver esse filme. Argh, vei! Vê-lo-ei, vê-lo-ei. E ele repetiu a genialidade dele em Anticristo, hein. (HAEUHAEUHUEAUHEA)

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