Mario Puzo – O Poderoso Chefão

Exatamente na ponta do “dedão do pé” da cômica geografia da Península Itálica, mobsters trajados de sobretudos e chapéus pretos extremamente elegantes eram responsáveis por um governo paralelo que exercia forte influência em órgãos públicos, como os tribunais e a polícia. Chegando a uma imagem praticamente mitológica, a Máfia de fato tinha – e há fontes que afirmam ainda ter – um grande poder principalmente na região da Sicília, que mais tarde viria a ser prolongado para os países da América do Norte como Estados Unidos e Canadá.
Sugando essa inspiração do sul italiano, o escritor norte-americano Mario Puzo notificou no ano de 1969 uma obra que viria a ser um clássico tanto no papel, como na película – imortalizada por Marlon Brando no papel de don Corleone. Descrevendo com exímia realidade a sociedade mafiosa, Puzo demonstrou quão verdadeira é a premissa maquiavélica de que “é muito mais seguro ser temido que amado” se você quiser ser respeitado em um meio onde tudo é válido per fas et nefas [por meios lícitos e ilícitos]. 

Sinopse:

“Por trás de toda fortuna, há sempre um crime”, Balzac.

O Pós-Segunda (Grande) Guerra Mundial foi marcado por inúmeros “booms“. O “baby boom” resultou em um incrível aumento de natalidade ao redor do mundo, a explosão do comércio consagrou a sobrevivência do sistema capitalista, que por consequência, levou o socialismo à ruínas.
É nesse cenário de caos e ascensão que Vito Corleone é exilado de sua terra natal – Corleone – e segue destino à terra do Tio Sam. Após uma árdua adolescência e maturação da personalidade, seguindo seu sedento instinto por amizade, Vito transforma-se em don; adquirindo respeito das famílias adjacentes e dominando o negócio de jogos ilegais.
Segundo o Código Siciliano, durante o casamento de sua filha Connie, don Corleone, sempre guiado por seu consigliere (conselheiro) Tom Hagen, não poderia deixar de atender a pedidos pessoais, por mais que aparentemente impossíveis de ser cumpridos. Sempre pedindo a amizade do devedor em troca, o padrinho (Godfather) da família Corleone encarregou seus caporegimes (uma espécie de capanga) a trazerem ao mundo real o que lhe foi alertado fazendo “an offer they can’t refuse” [uma proposta irrecusável].

Semanas após o casamento, Vito recebe em seu escritório um traficante de drogas turco de nome Sollozzo, que pede ao padrinho sua influência para que seu processo de tráfico seja um sucesso. Embora envolvido em jogos ilegais, o godfather considerou imoral o envolvimento com entorpecentes, sendo sua resposta um ríspido “não”.
Mas um “não” não pode sempre ser considerado um “não”.
Então, em uma emboscada, don Vito Corleone é baleado por capangas de Sollozzo, que na verdade estavam aliados à Família Tattaglia, criando uma guerra entre as mais poderosas famílias norte-americanas. O filho de Vito, Sonny Corleone, toma temporariamente o lugar de seu pai como chefe dos Corleone, induzindo a cidade a virar um rio de fluxo continuo de sangue, no qual haverá corpos boiando de ambos os lados.

Crítica:

Não é à toa que “O Poderoso Chefão” é considerado uma das melhores novellas não apenas do século XX mas de todos os tempos da literatura ocidental. Sua capacidade de mencionar termos específicos da sociedade mafiosa da época em questão é espetacular, principalmente quando relacionados aos personagens marcantes e únicos – já que cada um tem uma personalidade perculiar.
Não obstante, a storyline é cativante e imprevisível, fazendo com que você consiga ler as mais de quatrocentas páginas da obra em um só fôlego, deixando inclusive uma vontade de reler no mesmo momento em que as últimas palavras se vão.

Sem dúvidas, ler esta obra “it’s an offer you can’t refuse

Por Italo Lins

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4 thoughts on “Mario Puzo – O Poderoso Chefão

  1. AHEUAEHUAEUHEA
    Muito bom, cara!
    Inacreditavelmente, eu nunca li o livro – e eu o tenho em casa! – e nunca vi o filme todo. Mas, das cenas que eu vi, dá pra notar a genialidade de Coppola e a atuação do final da grande carreira de Brando.

    Achei foda a contextualização histórica toda e as citações dos filósofos, Itoso! Foda foda! 😀
    Colocarei esse livro na minha waiting list pra essas férias, sem dúvida!

  2. UHAEIUAEHUIAE opa, opa!

    Mas então tás demorando a ler cara! Eu mesmo li bem tardiamente esse livro – início desse ano – e creio que realmente foi um dos melhores que peguei agora em 2009.

    E isso porque tá no embate com livros de Orwell, Bulgakov, Sófocles, Huxley, Kafka, Chico Buarque…

    Então tu podes ir com fé porque o bagulho é bom :]

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