Amit Goswami no Roda Viva

Particularmente, tenho um apreço imenso pelo Roda Viva da TV Universitária. O jornalismo que é levado a sério nesse programa nos faz perceber a qualidade dos convidados e da bancada experiente, que em todas as segundas-feiras trazem um debate interessante à tona.
Elogios sem remuneração financeira feitos, e indo diretamente ao ponto, o post de hoje abordará o programa exibido no dia 11 de fevereiro de 2008, que contou com a participação do físico quântico indiano Amit Goswami, cujo reconhecimento surgiu no meio científico pelo trabalho escrito “A Física da Alma” e após a participação no documentário “Quem Somos Nós?” (What a Bleep).

Goswami tenta inovar as teorias da física partindo do preceito de que a matéria não é a base de tudo, mas ao invés dela, a consciência o é. Então, na tentativa de unir ciência e espiritualidade – sim, muitas das suas teorias lembram as da religião espírita de Alan Kardec – o físico indiano tem enfrentado diversos desafios por tentar dar uma outra visão de uma teoria literalmente tão consistente, que é a da física mecânica. Mas não há motivo para pânico, mesmo que Amit esteja certo, não é inteligível incinerar os trabalhos de Leibniz e Newtown.

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Embora a física quântica seja uma corrente de estudos extremamente promissora, eu acho uma pena que ela esteja se prostituindo aos poucos. Prostituição no sentido de “se vender”, já que best-sellers falaciosos como “O Segredo” (The Secret) e suas milhares de interpretações têm se aproveitado de conceitos superficiais da física moderna com o único intuito obter lucros. O que seria mais fácil que conceder informações positivas para uma população tão carente emocionalmente?
Em relação a Amit Goswami, posso dizer que concordo com boa parte de suas teorias, o que significa que não concordo com todas elas. O processo de conexão entre as mentes, a interpretação do cérebro frente à realidade visual, a consciência como a base da existência e o fato das ocorrências de eventos acontecerem ser apenas uma questão de probabilidade são extremamente plausíveis.

Para exemplificar o caso das probabilidades, a figura acima retrata uma passagem do filme “What a Bleep“. A situação em questão simboliza as possbilidades que nosso cérebro corrobora para intretar uma imagem real de uma única bola de basquete. Por mais que nós percebamos com os sentidos apenas uma bola, na verdade, várias estão em ação, mas nós canalizamos a figura, ou seja, a representação do mundo pode não passar de uma interpretação cognitiva da mente humana.

Já minhas discordâncias se dão com seus conceitos de vida após a morte, existência de deus e contato com os mortos. Não que seja uma questão de simplesmente duvidar da possível presença da reencarnação ou de deuses, mas eu simplesmentenão achei convincentes os seus argumentos, então eu me mantenho cético. Não confirmo a existência, e muito menos a não-existência (é, eu assumo que tenho uma linha de pensamento bem kantiana).

Para mais explicações sobre o assunto, assista ao filme “Quem Somos Nós” e ao próprio vídeo, além da leitura das obras de Amit Goswami ser extremamente recomendável. A física quântica é muito interessante e requer um debate mais afundo, já que, caso essas teorias vierem a ser realmente algo aceito como lugar-comum, o futuro será irreconhecível para os que vivem hoje, pois a mudança na sociedade será inimaginável.

Por Italo Lins

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2 thoughts on “Amit Goswami no Roda Viva

  1. Muito bom o post, Italo!
    Dezenas de coisas pra comentar, então, vamos lá. :B

    Ainda nem vi os vídeos do Roda Viva, mas já sei por antecipação que vai ser foda. Tirando isso pelo vídeo de Patch Adams.

    Acredito que Goswami já é um fruto de outros estudiosos que notaram que há algo errado com o mundo. Eu estou lendo um livro que parte de um preceito parecido, mas, é como se fosse a vanguarda desse movimento. “Ponto de Mutação” é um livro de Kapra, que mostra como os conceitos cartesianos e newtonianos foram aplicadas a TODAS as ciências, e como, até certo ponto, funcionaram. Isso para provar que, hoje em dia, é preciso se desvencilhar desses conceitos tão antigos. E ele usa a física quântica como um exemplo de visão holística que precisamos ter em todas as áreas. A partir desse fato, acho que cientistas como Goswami puderam surgir.

    Quanto à Kardec, na verdade, ele meio que tornou as filosofias orientais em “religião” – como as pessoas gostam de chamar. Ou seja, ele difundiu essas informações, que já existiam a milênios no oriente. E eu acredito que essa filosofia esteja correta. E acho muito bom que esteja sendo possível provar cientificamente – o método científico também precisa ser revisto, segundo Kapra – coisas como alma, consciência, poder de pensamento.

    E não posso corrigir uma vírgula do que você falou sobre O Segredo.

  2. Podes crer brother! Eu conhecia Capra só de nome, mas acabei de pesquisar no acervo da biblioteca da faculdade e vi que lá tem inúmeros volumes desse livro. A primeira coisa que eu vou fazer nessa segunda-feira é alugar essa obra e me informar mais sobre o assunto – que é interessante pra cacete e ainda é um feto.

    Thank you, dude!

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