Mutilação de Criatividade Institucionalizada

ABC; 1, 2, 3; iluminismo, regra de três e cromossomos. À grosso modo, essa é uma escala “evolutiva” que todos nós seguimos na época na qual frequentávamos o colégio. Achávamos que aprendendo a função dos ribossomos ou decorando quantas fases possui o período de interfase do núcleo celular, teríamos o necessário para ser um intelectual, um profissional extremamente capacitado, uma pessoa digna. Repare e pense: o que diabos isso tem a ver com dignidade, afinal?

Na escola nós não aprendemos mais a ser éticos, inteligentes, humanos. Digo isso em relação a nós, frutos do sistema educacional do século XX ou XXI. Não tenho medo de falar que não fomos ensinados a ser humildes, e que nossos dotes artísticos em absoluto foram castrados por uma faca afiada, mas por conta da anestesia, continuamos a salivar como animais irracionais ao ver um pedaço de carne no chão. Anestesiados estamos a  tal ponto que de fato custamos a perceber que caminhamos no sentido contrário à transcendência ou a o que realmente precisamos: humanidade, ou seja, a ferida ainda está aberta.

Não é meu objetivo falar nesta postagem sobre o despreparo dos professores ou do descaso do governo em relação aos estudos, o que me faz repetir: a minha visão é exprimir os erros dentro do próprio ato de ensinar.

Não focarei também minha crítica ao sistema capitalista. Ao menos, volto a dizer, não nessa postagem. Mas é clara a percepção de que desde que começou a ser necessário um investimento técnico para se tornar um profissional – de qualquer área – o ensino institucional tornou-se uma máquina enferrujada que produz robôs defeituosos. Defeito esse que surge em dois sentidos: moral e prático. A primeira causa se dá por ser um esforço inválido, e a segunda, por muitos sequer terem a capacidade de fazer algo errado corretamente.

A maior parte dos ensinamentos são focados a um futuro incerto no qual seremos induzidos a ser o que na verdade, nada pode ter a ver com nossa essência, pois o “certo” é visar ao lucro. Mesmo que ninguém ouse mencionar isso explicitamente.

“Choose your weapon”: medicina, direito ou engenharia?

E não venha com o argumento de que eu sou um frustrado por não ter conseguido a aprovação em qualquer desses cursos, já que este ano, estou a abandonar o curso de direito por ter notado que o mesmo nada tem a ver comigo.

Mas o que aconteceu com a aula de música? Com as aulas de pintura ou história dos índios? Foram jogadas no lixo, assim como nós seremos quando estivermos prestes a buscar a aposentadoria. É verdade, de uma maneira bem distinta quando comparada a países como Japão ou Canadá, o nosso respeito aos idosos é mérito de vergonha absoluta.

O vídeo abaixo retrata uma palestra de 20 minutos – desta vez ninguém pode reclamar da duração dos vídeos (risos) – que fala um pouco sobre o meu ponto de vista, e creio que seja extremamente válida de ser assistida:

Parte 2, clique AQUI.

Por mais que pareça, eu não estou querendo dizer que as escolas são inúteis. Muito pelo contrário, a minha vontade é demonstrar que o caminho da educação está errado, distorcido. Eu entendo que através do ensino, caminhos para o mundo das drogas e da ignorância são dizimados, dentre outros aspectos positivos. Mas, no primeiro momento em que nós quisermos preservar a figura do humano, nos desapegando – o que não quer dizer, “livrando-se” – dos bens materiais, poderemos investir em uma educação de qualidade e capacitante, o que nos fará afinal, ser um país de primeiro mundo não no sentido material, mas intelectual e moral.

O primeiro grande passo é fazer com que os professores ouçam mais e vomitem menos. Apesar de sermos – ironicamente – iguais perante o poder da Constitucional, nós, de fato, somos distintos no âmbito do entedimento e da interpretação do mundo, já que viemos de diferentes realidades.

Concluindo, os ensinamentos cujo foco baseia-se em vestibulares ou profissões socialmente reconhecidas, nunca serão de grande utilidade moral, já que, como dizia Kant, a ação muitas vezes depende da qualidade da intenção.

Por Italo Lins

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3 thoughts on “Mutilação de Criatividade Institucionalizada

  1. Genial.
    O sistema educacional em si está caindo aos pedaços. Deixando à parte problemas dantescos como o ensino público e o “objetivo final” do capitalismo, como tu disse, o que nos resta na educação ainda é uma massa gigante de robôs ensinados a repetir.
    Às vezes, eu me impressiono com a falta de capacidade de alunos de fazer pontes entre duas informações complementares, por ser “de outra matéria”. Eu já me sinto repetir isso demasiadamente, mas isso É recorrência do pensamento cartesiano, dividindo as partes até o mínimo. Cada dia, eu vejo que Kapra tá mais certo.

    Eu achava absurdo como um candidato a engenharia ao vestibular se contentava em ser burro – literalmente – em português, por exemplo. Como se ele só fosse uma máquina de calcular. Cansei de ouvir argumentos do tipo “pra que eu vou precisar de química na minha vida?” e variáveis disso.

    A crítica vai pra o sistema educacional. Não entenda o sistema educacional como o MEC e a organização acadêmica, e os professores e o vestibular. Entenda também os alunos, que se contentam com essas migalhas que são jogadas para eles.

  2. Ah, e isso só do ponto de vista de conhecimento “regular”, “científico”. Começar a falar de como o sistema educacional castra a mente criativa – o lado direito do cérebro -, é vergonhoso.

    E isso, também, é culpa de pessoas idiotas e despreparadas que colocam filhos no mundo e os ensinam que devem ser engenheiros, advogados e médicos anti-éticos, vermes do ponto de vista moral. Desde criancinha, eu ouvia dos coleguinhas que a aula de artes era inútil. Isso só pode vir do berço.

  3. [Droga, tinha digitado um comentário, mas apertei F5 sem querer e perdi EAOIUHEA here we go again…]

    Eu ainda esqueci de citar o aspecto da competividade, já que, como o vestibular conta com reduzidas vagas e um imenso número de candidatos, é praticamente inevitável que haja essa batalha – e como muitos professores instigam isso! – pela a aprovação.

    Pegasse um fator relevantíssimo também, brother, que é a “divisão de áreas”. Ou seja, não basta ser podado artísticamente, você tem que usar aquelas viseiras de cavalo para ter um foco no que “interessa”.

    Realmente, tem muita coisa errada, e muita coisa a se mudar…

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