Zizek!

Slavoj Zizek é uma figura intrigante a ser desmistificada. Nascido no ano de 1949, na Eslovênia, o filósofo e crítico cultural ora apresenta ser um oásis de conhecimento propulsor de belas idéias que tangem inclusive a física quântica, ora veste o uniforme de mero “maluco hiperativo” que tenta se tornar um superstar no mundo da filosofia ao dar ênfase aos vários autógrafos concedidos e aplausos recebidos.
Fazendo entrar em mixórdia de uma maneira peculiar a psicanálise lacaniana e a praxis marxista, Zizek traçou, neste documentário, debates sobre o stalinismo, a política (embora tenha entrado em contradição ao dizer que nunca participaria da mesma e ter se candidatado – e perdido as eleições – para o cargo de presidente de seu país), o consumo desenfreado (entretanto, nada de novo para o nosso nível de debates), o uso da ironia para atrair atenção, dentre outros assuntos interessantes.
Sincero estou sendo ao contar que apenas conheci Zizek através deste documentário. Entretanto, tenho todos os atributos necessários para me tornar um imenso crítico de suas idéias, já que o esloveno pecou em quesitos como sexualidade (chegando ao ponto de mencionar que a masturbação, por exemplo, é algo quase profano) e hedonismo (como uma forma de culpa), entrando então em contraste com suas próprias teorias, já que ele afirma que cada cultura possui sua realidade – que difere de seu belo conceito de “real” – não havendo uma verdade absoluta – o que concordo, de fato.
Futuramente resenharei suas obras escritas – as quais correrei atrás imediatamente – aqui no blog, já que o assunto tratatado por ele, mesmo se for explanado de forma equivocada, é extremamente interessante e nos fará desenvolver um senso crítico exemplar.

Para fazer o download do documentário via megaupload, clique AQUI.

Por Italo Lins

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7 thoughts on “Zizek!

  1. Darei uma olhada nesse cara daí, mas pelo que tu falou aí, me parece que esse é aquele cara de vanguarda, saca? Que quer chocar todo mundo e tal. Ser pop, de certa maneira.

    Enfim, veremos.

  2. Bom essa pseudo-crítica ao Zizek, que além de pseudo é errônea, advém geralmente das mesmas críticas falaciosas e pouco pertinentes feitas ao incompreensível homem que é Zizek.
    Os críticos acéfalos, acostumados a misturar suas piadas niveladas com alto quo de erudição coexistindo com um fração quantitativamente grande de humor surrealista. Acaba por misturar suas piadas com suas teorias, e suas teorias são entendidas como piadas, e suas piadas como teorias(para Zizek nada é o que parece ser). No caso aqui temos um exemplo clássico:
    “esloveno pecou em quesitos como sexualidade(chegando ao ponto de mencionar que a masturbação, por exemplo, é algo quase profano)”

    Essa afirmação no contexto do Documentário, tornasse semânticamente diferente, seria quase que “profano” rótula-la como uma “teoria sexual”.
    Aconselho, ao senhor crítico feroz das idéias de Zizek, assistir a uma entrevista com este filósofo para o programa Roda-Viva da TV cultura, e se sobrar energia intelectual, assistir o próprio documentário de Zizek sobre cinema..

  3. Betinho, antes de tudo, gostaria de dar meu convite de boas-vindas para você ao blog e falar que críticas também são aceitas da melhor forma possível; já que é através delas que nós podemos chegar a um nível intelectual maior.

    Bem, vamos esclarecer certos pontos.

    1° Essa postagem foi unicamente sobre o DOCUMENTÁRIO “Zizek!”, não sobre a livre imagem do filósofo em questão. A crítica se deu ao fato de que, em certos momentos inclusive, ele desvirtuou as informações.

    Um exemplo? Quando o esloveno mencionou que um dos presentes ao debate – sobre sua candidatura a presidente – falou que “o seu QI era maior que a SOMA de todos os presentes” quando na verdade ele falou que “o QI dele era o maior da mesa”. O que, concluindo, é puro narcisismo e não tenho interesse de saber disso.

    Outro exemplo? O garoto que deu um abraço nele e falou que era um prazer ter uma pessoa tão inteligente como ele por perto.

    Eu, em hipótese alguma, falei que ele era burro ou farsante, apenas estou dizendo que sua postura é ridícula. Como se ele precisasse falar para o mundo quão inteligente é.

    2° Documentários em si tendem a ser analisados em duas matérias: conteúdo e forma. O conteúdo pareceu mais uma autobiografia – que talvez tenha sido o próprio objetivo dele – e ele, para mim, busca SIM pela fama de estrela. Sua crítica perante a postura de Lacan, por exemplo, foi desnecessária, como se o seu cospe-cospe hiperativo fosse agradável para mim.

    3° Posso dizer claramente, como você falou, que não sou um crítico acéfalo. Apenas não tenho medo de criticar o que deve ser criticado. Se você se deu ao trabalho de investigar o blog a fundo, pode ter percebido que critiquei a arrogância de Schopenhauer, e não vejo o mínimo problema nisso.

  4. 4° Se eu achasse Zizek um completo crápula ou farsante, não ousaria sequer postar um documentário sobre o mesmo, já que não quero que os leitores do blog percam tempo vendo porcarias. Para isso temos vários programas da televisão.

    5° A questão das piadas, então, nem as considero como crítica. Muito pelo contrário, acho até interessante. Entretanto, até meu professor de Introdução ao Estudo do Direito II mais engraçado do que ele. Fato. E mesmo se ele fosse um ator de stand-up comedies, não haveria problema. O mais importante é o conteúdo.

    Você deveria perceber que minha frase “(…) é uma figura intrigante a ser desmistificada”, e meu interesse em conhecer melhor o autor são a prova de que não estou desmerecendo suas idéias, muito pelo contrário, quero buscá-las.

    Enfim, acho que você tem mais conhecimento sobre Zizek do que eu, já que o conheço há pouco tempo. Mas não há razão de procurar críticas pesadas onde não há, apenas estou relatando a minha interpretação perante o documentário.

    Um abraço.

  5. Obrigado pelas boas-vindas, e quero lhe agradecer por um motivo, no qual consiste que quando fui reler meu texto, vi que fui um pouco agressivo(eufemismo) em minhas palavras, e você não retribuiu sabiamente; as minhas carinhosas insinuações, por isso agradeço.

    1 – Sobre o primeiro exemplo dado por você, no qual consiste entre o debate dos candidatos a presidência, quando você diz que ele desvirtua a informação. Bem nesse caso, Zizek começa a explicar rápido o ocorrido no debate, e tentar dar uma semântica parecida ao qual ele presenciou no debate, não foi “desvirtuar a informação”, apenas trocou a informação na qual ele não se lembrava perfeitamente, por outra com conotação parecida, pode ter suado hiperbólico, assim como muitos outros de seus comentários no decorrer do documentário, alguns flagelando a si mesmo (um narcisista não flagela a si mesmo).

    No segundo exemplo, é um caso fácil de entender a postura de Zizek, ora o homem é um acadêmico; e acaba de dar sua palestra na qual foi convidado a dar em outro país, recebe revistas e textos sobre temas sérios de várias pessoas diferentes; estava no momento em que o garoto aparece pra lhe abraçar discutindo política com outro homem, se não me engano discutindo sobre Nixon e os chineses, vem um adolescente e corta a discussão que até ali era séria com um abraço e fala algumas besteiras de frente para a câmera na qual filma Zizek, qual reação era de ser esperar? Zizek no mesmo documentário afirma intensamente que odeia a fama que lhe é concebida como um Filosofo popstar. Aliás, a filosofia apenas lhe agrada como um trabalho anônimo.

    2 – Bom então seria normal, fazermos a pergunta.
    O que leva um filósofo que odeia sua fama, se tornar mais público ainda? A resposta é dada no próprio documentário. A uma resistência nos EUA ao Zizek, que como ele diz que constantemente lhe é dada a característica de palhaço, ou de homem das teorias e piadas obscenas. É mais fácil não o levar a sério do que leva-lo a sério. É de sua função flertar com essa fama, para assim poder passar a sua informação.

    3 – O documentário não é dele e não foi sua a idéia. A idéia foi de uma universitária. Filmar sua rotina de palestras com uma breve introdução ao seu pensamento, e nunca uma mini-biografia. Por tanto é errado dizer que o documentário é uma autobiografia como você mesmo disse, e ainda mais dizer que esse era seu objetivo.

    4 – E por último, acho que no seu caso com o Zizek foi mais uma antipatia, o que é normal, pq para muitos Zizek é de um tom pretensioso. Porém lembramos como você mesmo disse que esta postagem era sobre apenas e unicamente sobre o documentário; ora, logo podemos chegar à conclusão que todos os atributos dados por você a personalidade de Zizek como o filósofo que busca a “fama e o estrelato” é reducionista, não podemos concluir um caráter de sua personalidade apenas com 1 hora e pouco de documentário, seria preciso toda uma investigação sobre a sua vida e teoria (que por sinal, não é atrativo de muitos leitores, por ser de difícil compreensão). No mais a teoria de Zizek é muito boa de ser estudada, e creio que daqui a um tempo, vai ser umas das mais impactantes no âmbito de interface entre os conhecimentos (psicanálise,filosofia e sociologia). Vale lembrar que as vezes as teorias de Zizek possa parecer confusa pelo motivo dessa interface, na qual reside na sua formação, estudou na universidade Filosofia e Sociologia, doutorou-se em Filosofia e depois especializou-se em psicanálise. Seu pensamento é um verdadeiro liquidificador.

  6. Ah! Que bom ver que você voltou pra continuar a conversa, cheguei a pensar em certo momento que ela seria interrompida por aqui, com tanto a se falar no ar.

    Bem, eu admito então que o seu ponto número 3 matou a charada a qual tentava desvendar. Como, de certa forma, a produção é “caseira”, pensei sim – erroneamente, percebo – que o vídeo era uma produção do próprio filósofo. Estranho ele poder ter cortado certas partes, mas o fato de ter sido uma estudante reduz bastante o núcleo dos meus argumentos.

    Acho que você matou outra charada ao falar da questão da antipatia. É, ao menos no documentário o jeito dele me pareceu bastante energético, e sou um tanto quanto o oposto disso, de certa forma, me perturbou. Entrento, segui seu conselho e assisti a uma parte de sua entrevista no programa Roda Viva – que será um futuro tópico no blog – e o achei mais calmo, e com isso, suas idéias foram explanadas de uma maneira mais clara. Inclusive, houve uma redução significativa nos seus “and so on, and so on” (risos).

    Cheguei a acessar, inclusive, o site da Livraria Cultura – a qual há uma loja física na minha cidade – a fim de pesquisar sobre a obra “Visão em Paralaxe”, que parece ser a principal do autor. Se não, ao menos o assunto pareceu-me bastante interessante.

    Creio então, que a minha crítica mudeu um pouco de rumo. Mas ainda existe. Nesse caso, vai à produtora do documentário. Vou me mecanizar e dar um “reset” do meu preconceito perante Zizek, vejamos o que a plena leitura de suas obras vai me causar.

    Um abraço.

  7. Bom, fico feliz..
    Por você ter assistido a entrevista com Zizek no Roda-Viva, lá ele explana com facilidade à complexidades de suas idéias de uma maneira que poucos sabem fazer oralmente(nesses tempos só tenho visto Luiz Felipe Pondé a sua altura). Uma entrevista longa, que é pra se rever constantemente, até para melhor percepção das idéias expostas,. E confesso que foi engraçado ver a Maria Rita Khel no final do programa com o cabelo em pé com cara de quem acabo de sair de uma montanha russa.
    E informo também que, a mesma diretora desse documentário Zizek!, é também diretora de outro no qual se chama Examined Life. Traz a tona os mais prestigiados filósofos contemporâneos para um passeio na rua com discussões sobre os mais variados temas.

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