Ano Novo, Gestalt da Cor e Jung

Para não perder a oportunidade de celebrar essa época de ano novo, dediquemos ao menos um post para essa data tão comemorada por todo o mundo, em todas as culturas. Afinal, nosso ano viveu apenas 11 dias.
Astronomicamente falando, o dia do ano novo, por si só, é inteiramente insignificante e indiferente para a Terra. É só o fato de o planeta ter terminado de dar uma volta na sua órbita elíptica em torno do sol.
Tecnicamente falando, é somente quando o Papa Gregório Num-sei-quanto instituiu que seria o ano novo no calendário gregoriano.
Economicamente falando, é uma ótima época – seguida do solstício de inverno no hemisfério norte, também chamado de Natal – para vender roupas e outros artigos, principalmente brancos.
Emocionalmente falando, é uma ótima época para se fazer promessas, sonhar com objetivos.
De qualquer maneira, é uma época importante, especial. É marcante, quer queira, quer não. Toda a nossa sociedade se guia em termos anuais. Isso faz com que as pessoas tentem atrair coisas boas para elas, das mais diferentes maneiras possíveis.

Um dos artifícios mais curiosos que as pessoas gostam de usar para atrair sorte no ano que vem chegando é a de usar roupas de cores correspondentes ao que elas desejam. Amarelo para prosperidade, vermelho para paixão, branco para paz, e por aí vai. Interessantíssimo esse fenômeno, já que se relaciona a como nós percebemos as cores e as sensações que elas nos causam.

Muito disso se baseia na Gestalt das cores, ou seja, no estudo da percepção visual, de como as cores afetam a psique humana, tanto consciente quanto inconscientemente. Mesmo assim, praticar essa superstição de ano novo é tão eficaz quanto lamber uma pedra para fazer chover.

Entretanto, algo que se perdeu ao longo do tempo é que essa época, de fato, é uma época para mudanças. Essa época é propícia para tal porque, devido à confluência de pensamentos, surge uma egrégora que influencia todas as pessoas.
Essas egrégoras – conjuntos de pensamentos – são mais comuns e óbvias do que parecem. Sabe quando você se sente “levado” pelo ambiente, em uma boate, academia, teatro, show, enfim, em qualquer aglomeração de pessoas? É a psicologia do comportamento: é porque você está sendo influenciado – e não controlado – por essa egrégora. Eu já ouvi as pessoas chamando isso de diversas outras coisas, mas todos já sentimos isso.
Além disso, muito dessa idéia de renovação e a superstição constitui um conjunto de memes, que, ao longo das gerações, acabou perdendo todo o sentido, nos deixando com crenças infundamentadas. Memes são unidades de comportamentos e pensamentos passados de geração em geração na sociedade, através de quaisquer meios. Moral, língua, valores estéticos, entre outras coisas. Esse termo foi usado por Dawkins, para definir o que seria a unidade psicológica análoga ao gene.
Mesmo assim, o sentido desse ano novo renovador está contido no mito arquetípico da Fênix. Toda a idéia de morte e renascimento através do elemento transformador – o fogo – deve estar presente em nossas vidas. Ainda mais, deve ser aproveitada nesse momento propício. Todavia, não se engane por pensar que é algo que se acha no exterior; é em uma introspecção que você poderá realizar sua vontade de mudança.

Mas que fique claro que fazer aquelas promessas vazias e irreais não é nada parecido como propôr mudanças tangíveis para sua vida. A Fênix escolhe queimar a si própria para que possa renascer.

Por Eduardo Souza

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5 thoughts on “Ano Novo, Gestalt da Cor e Jung

  1. Datas comemorativas como Natal, Páscoa ou Ano Novo são belas em sua essência. Mesmo não me considerando religioso, eu incluo os eventos citados porque em seu interior, de fato, são extremamente positivas na psique dos humanos.

    Entretanto, como vivemos nesse mundo capitalista e mecânico – poderia colocar mais adjetivos e substantivos para definir, mas já estamos cansados de saber a classificação do ambiente no qual vivemos – praticamente todos os meios morais são alienados, vendidos.

    Inevitavelmente, os ovos de chocolate são mais lembrados que Jesus na Páscoa. E com o Santa Klaus não é tão diferente, mas consegue ser ainda pior por ser uma época conjunta ao décimo terceiro salário dos brasileiros. Ou seja, mais um motivo para exploração.

    Essa necessidade por inclusão pode se tornar perigosa, se levarmos em conta essa questão. Para mim, a única coisa válida nas festividades – o que para muitos seria o descanço – é o fato das famílias se unirem para comemorar. Entretanto, o lado negativo da parte positiva é que estes eventos formam uma máscara nos problemas familiares, que os mantém vivos.

  2. O grande problema da questão “sentir levado” por uma festividadem, é a alienação. De fato, você deixou seu argumento impecavelmente claro ao dizer que é uma questão de influência, não de controle. Mas mesmo assim, eu temo poder classificar essas egrégoras como uma “alienação sazonal”.

    Eu acredito, inclusive, que elas existem porque somos tão carentes emocionalmente e ocupados com o nosso mundo interior, que até uma partida de futebol para um surdo-mudo ou uma páscoa para um anti-cristo é motivo de festa. É algo cultural e psicológico.

    A minha crítica desenvolve-se então não às datas, nem às cores – que de fato influenciam – nem às religiões. Mas sim, para a nossa cultura consumista, que consegue de uma forma absurda deformar o que é belo, em matéria de venda. O que nos traz uma falsa percepção de conceitos como felicidade e bondade.

    Entretanto, se a interpretação desses eventos for relacionada às suas essências, eu considero algo ainda mais válido.

  3. De fato, Italo!

    Mas o sistema econômico já está estabelecido assim. Não, é, entretanto, uma apologia à letargia que vou fazer. É necessário que saibamos extrair desses eventos os melhores aspectos, para que nós possamos trazê-los de volta à essência.

    As egrégoras não têm um aspecto 'bom' ou 'ruim'. Ela é só a união dos pensamentos dos que a formam. Então, a egrégora de uma torcida organizada que sai destruindo tudo e fazendo arrastão, nada mais é do que a vontade da maioria presente. Claro que essa vontade pode ser fabricada, como nos exemplos que você citou.

    Mas, assim como as egrégoras podem influenciar coisas fúteis e danosas, pode influenciar coisas boas e geniais.

    E, sei lá, eu não quis falar disso no post, por ser só um link que eu fiz, pensando, e eu não achei nada referente a isso nas lidas que eu dei, mas eu acho que os arquétipos e o inconsciente coletivo está relacionado a um tipo de egrégora maior, dominante, superior.

  4. É verdade, é verdade cara. Não tinha reparado nessa imparcialidade das egrégoras. Talvez seja mais um conceito que é alienado pelas razões sociais, mas mesmo assim, mea culpa haha

  5. Oi Eduardo,

    Muito bom o post. É mais ou menos isso, final de ano/começo de outro nos remete a mudanças, novas propostas ou realizar o que não se conseguiu anteriormente, como uma renovação dos votos… e meio que todo mundo entra nesse clima mesmo e se tem uma época do ano em que todos ficam esperançosos pelo melhor da vida, é essa.

    Abs
    Adi
    http://anoitan.wordpress.com/

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