Ilha das Flores

Ilha das Flores é um curta-metragem brasileiro produzido por Jorge Furtado no ano de 1989 que retrata o descaso social proporcionado pela economia. Longe de buscar ideais marxistas, o curta mostra o caminho de um simples tomate podre, e alerta quais são os efeitos causados por ele na sociedade. Classificado pela crítica européia como um dos “100 mais importantes curta-metragens do século XX”, Ilha das Flores é brilhante por três motivos: magnífica objetividade social, clareza nos argumentos e belas deduções.
O caminho do tomate podre em questão passa pelos processos de produção, venda para os grandes mercados e compra de um consumidor para determinado fim. Ao perceber que o alimento não está saudável para determinado fim, o consumidor o joga no lixo, fazendo com que este mesmo alimento seja reaproveitado pelos porcos. Porém, os porcos não o comem o tomate por não estar consumível, o que faz com que ele seja repassado para os habitantes de Ilha das Flores, região do Rio Grande do Sul para onde vão os detritos das cidades do Estado.
A conclusão do mesmo é que a definição biológica dos humanos está equivocada, já que, ao afirmar que “os homens diferenciam-se dos outros animais por possuírem um telencéfalo altamente desenvolvido e um polegar opositor”, há uma outra característica relevante culturalmente falando: “que possui riquezas materiais que os diferenciam entre si”. O antigo argumento de que, parafraseando a música Money Talks do AC/DC,  o dinheiro fala.
As únicas obsvervações negativas – para nós, que estamos em 2010 – é o fato do curta possuir mais de 20 anos de existência. Observação negativa esta não referente ao vídeo, mas à nossa sociedade, já que ao invés de termos revertido essa situação, vemos que a perspectiva negativa segue em proporção direta ao aumento da população, o qual foi de bilhões neste meio tempo.
Por Italo Lins
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One thought on “Ilha das Flores

  1. Esse documentário é espetacular. O que mais me impressionou nele foi exatamente a clareza, a concisão e, principalmente, a simplicidade com a qual ele descreve a história do tomate podre.

    Quase me lembra um documentáriozinho, A História das Coisas (http://www.youtube.com/watch?v=nW9D2kJeY90), que tem quase o mesmo modo de explicar. Todavia, o teor de Ilha das Flores é muito mais pesado, direto e cru.

    De fato, o que mais me deixa decepcionado é o fato de saber que a situação não mudou, e, provavelmente, se multiplicou desde então.

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