Criacionismo, Design Inteligente e Darwinismo

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Eu creio que não haja fortes contra-argumentações frente a premissa “a vida é complexa e funcional”. Se as questões da criação ou da manutenção da vida fossem claras, não seria necessária a existência de filósofos ou cientistas, pois, supostamente, não haveria material de estudo para tais intelectuais.
Citando o sábio Heráclito de Éfeso, “A physis (natureza) gosta de se esconder”; e perante esta mistura de fascínio e curiosidade – o qual mira tanto a origem do universo como a razão da existência humana – houve inúmeras teorias que tentaram trazer à luz os problemas que confundiam e confundem as mentes racionais (por mais que pareça pleonástico).
Dentre os pré-socráticos que viveram na cidade de Mileto, Tales mencionou a água como o princípio de todas as coisas (arché); Anaximandro, o infinito (Ápeiron); e Anaxímenes, o último dos grandes milésios, o ar. Visto que esta questão existencialista surgiu há milênios e até hoje não foi respondida, nós podemos perceber que o embate entre o Darwinismo e o Design Inteligente dificilmente pode ser considerado uma surpresa.
 
Conceituando, o Design Inteligente, para mim, nada mais é que um neocriacionismo, pois o mesmo ocupa-se apenas em dar um nome mais elegante a uma teoria que foi transformada em cinzas no meio científico. O Criacionismo, resumindo em apenas uma frase, é uma “teoria que acredita na criação do universo”, ou seja, que o mesmo surgiu ex nihilo (“do nada”). Cristãos ortodoxos acreditam que esta criação foi executada por algum deus; Evolucionistas Teístas dizem que aceitam o Darwinismo, mas que algum deus estaria envolvido neste processo de construção da vida. O Design Inteligente, por sua vez, tenta dar uma máscara científica à esta teoria, alegando que, da mesma forma que um relógio é feito por um relojoeiro, a vida teria que ser dada por alguma força inteligente. Em outras palavras, alguém/alguma coisa intencionada em dar cores à vida se fez presente.
 
O Darwinismo, aclamado pela sociedade científica, tem suas raízes fincadas em teorias como o evolucionismo, o qual afirma que as espécies sofrem mutações genotípicas (genéticas) e fenotípicas (físicas) ao passar do tempo de acordo com as necessidades de adaptação, seleção natural ou seleção sexual. A seleção natural, segundo Darwin, seria um processo no qual a natureza canalizaria os seres mais aptos à sobrevivência, fazendo com que os menos propícios à vida entrassem em extinção. A seleção sexual se dá entre os animais machos que conseguem conquistar as fêmeas de acordo com sua plumagem ou penas, como é o caso dos pavões.
 
A minha crítica do documentário “Expulso: A Inteligência não é Permitida” começa justamente pelo título. Não se trata de uma questão de pseudo-intelectualidade, mas sim de uma falta de oportunidade para teorias de cunho religioso, como é o caso do Design Inteligente, serem desenvolvidas. Eu sou absolutamente contra a teoria do Design Inteligente, mas, como um bom agnóstico, não descarto a chance da mesma ser a chave da verdade – embora eu ache extremamente improvável. O ponto no qual sou contra a esta teoria se dá pela alienação causada pelas religiões, o que neste caso sim, seria uma privação das idéias científicas.
 
Das críticas feitas ao Darwinismo, algumas foram plausíveis, outras equivocadas ou incompletas. Começando pelas equivocadas, eu não acredito que seja coerente relacionar as idéias de Darwin ao nazismo. É a mesma coisa de linkar os atomistas gregos com as explosões em Hiroshima durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, para ter uma opinião mais embasada, estou a ler a obra “Minha Luta”, escrita pelo próprio Adolf Hitler. Mas ainda neste ponto, eu me questiono o porquê do autor do documentário não ter mencionado alguma influência do monge Gregor Mendel no nazismo, já que o mesmo descobriu que é possível existir “pureza” (genótipos homozigotos ou seja, AA ou aa) nas espécies. Será que foi unicamente pelo fato de Mendel ser um religioso? Honestamente, para mim, não é inteligente responsabilizar ambos os cientistas pelo holocausto.
Um aspecto interessante, embora não abordado a fundo, se dá pela crítica à Seleção Natural do Darwinismo. Eu sempre achei o processo de Seleção Natural mecanizado demais para ser acoplado à natureza, embora o mesmo seja útil em vários casos. Esta teoria apenas precisa de um complemento, assim como embate materialista e relativista entre Newton e Einstein se deu no âmbito da física.
A minha intenção, então, em postar este documentário se dá pelo fato dos projetos e pesquisas no meio científico serem manipuláveis, ou seja, apenas servirem para interesses particulares – como governos ou forças militares. Então, não é lógico misturar a negação do Design Inteligente no meio científico com o lado sentimental, pois é fácil de constatar que esta teoria é muito carente de evidências.
Só peço que vocês vejam este documentário a nível de ter uma opinião formada sobre um assunto recente, que é o Design Inteligente. Volto a afirmar que não concordo com tal teoria, mas assumo que o próprio Darwinismo tem suas falhas, e que precisam ser sanadas. Espero que não seja alienante, visto que o conceito de liberdade descrito no filme, por exemplo, é totalmente deturpado, como vocês irão perceber.
Só para concluir com um comentário sutil, apesar de não ser ateu, eu tenho que mencionar que os negadores de deus estão muito mal representados com o senhor Richard Dawkins. É incrível como até em seus próprios filmes ele não consegue ganhar um debate. Apesar de não ser ateu nem teísta, eu acho uma vergonha ambas as teorias serem mal representadas, já que no final, os mais prejudicados somos nós, que não saímos do lugar.
Então, vamos à pesquisa!
Por Italo Lins
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4 thoughts on “Criacionismo, Design Inteligente e Darwinismo

  1. Só peço perdão aos leitores pelos dias sem atualização no blog. Como todos nós somos humanos, eu tive algumas pendências na faculdade a serem concluídas. Espero que compreendam.

    Então começando de hoje, as atualizações do blog serão de dois em dois dias no mínimo, ou seja, estou preparando algumas surpresas para que possamos ter postagens diárias.

  2. Oi Italo! Parabens pelo seu posicionamento. Apesar de termos crencas diferentes, concordo que eh imprescindivel o questionamento das aparentes verdades existentes, soh assim prosseguimos no caminho do conhecimento. Ademais, as proprias escrituras exortam: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertara”

    Abraco fraterno!

    1. Oi, Gisa, só vi o teu comentário agora! Olha, faz tanto tempo que escrevi esse texto, que eu nem me lembrava muito bem dele. Eu o escrevi em março de 2010, ou seja, aos 19 anos e antes mesmo de começar a graduação em filosofia, então tenho certeza de que não só a minha opinião sobre o tema, mas também a qualidade da redação mudaram bastante.
      De qualquer forma, obrigado por ter se dado ao trabalho de ler essa postagem.
      Um abraço! 🙂

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