Imagens do Telescópio Espacial Hubble

Trago mais um episódio para a coleção “quão pequenos somos nós perante o universo?” para o blog. Desta vez, o instrumento de análise será o telescópio espacial Hubble, o qual foi lançado pela primeira vez pelos Estados Unidos no ano de 1990. A exibição em questão data uma das últimas visitas do telescópio à órbita de nosso planeta, mostrando inúmeras outras galáxias existentes frente aos nossos horizontes. Por mais que eu acredite que haja inúmeros outros elementos mais importantes e se tratar que visitar ao espaço, garanto que o vídeo é extremamente interessante e persuasivo em relação à nossa pequenez frente ao universo.
Por Italo Lins

O Manual de Instruções da Vida

Como sabiamente relatava Heráclito de Éfeso mais de dois mil anos atrás, “a natureza gosta de ocultar-se”. O que existe de mais natural na realidade que a vida? Há milênios, como pode-se perceber, os humanos procuram apreender o porquê de sua existência e seu lugar no mundo, e ao perceber que tal resposta encontra-se distante de sua capacidade cognitiva, começa-se uma onda de especulações Nesse ponto nascem concepções sobre a metafísica, que em nossa sociedade aparece fortemente agregada às religiões e até mesmo em livros/palestras de auto-ajuda ou filosofias mascaradas – embora em lato sensu “metafísica” vai muito além das divagações religiosas.
Eu percebo então que todas essas interpretações da vida (religiões, falsas filosofias…) são unicamente uma especulação em forma de válvula de escape, ou em outras palavras, uma maneira de canalizar o desespero do homem frente à sua perplexidade em relação à natureza. Principalmente quando nos damos conta que “o jogo da vida começou antes de nós termos nascido”. Entretanto, como é facilmente perceptível, há inúmeros pontos negativos relacionados a essas teorias como a dominação intelectual e a dominação social. Mas eu não agrego características unicamente ruins às religiões, pois, como afirmava William James, a concepção de Deus ou de deuses causa efeitos reais positivos na psyché dos homens. E esses efeitos podem ser de fatores éticos e existenciais. Mas essa ética cristã elimina por completo o conceito de enteléquia (um fim em si mesmo) da moral, pois notamos que, como na obra “Dias na Birmânia” de George Orwell, o bem não é feito pela vontade de fazer o bem e sim pela vontade de obter a salvação. Ou seja, a religião corrompe o homem. Mas o homem que não possui a moral, tem de ser “domado” de alguma forma para que possa conviver em sociedade.
E dentro das próprias religiões, como podemos observar no vídeo acima, há um certo medo de existir. A analogia dos armários do curta acima pode ser interpretada não apenas no âmbito religioso, mas em qualquer diferença existente entre os homens: culturais, sociais, físicas, morais, etc. E creio que a cabe a cada um de nós o respeito perante essas diferenças, mas sempre buscando algo universal entre os homens – que por sua vez, é a grande dificuldade da eminência da moral enquanto instrumento social, pois, não é complicado notar que a resposta da existência dos nossos seres permanece oculta, e assim permanecerá por tempo indeterminado.

Por Italo Lins

BBC’s Beethoven: A Genialidade de um Músico

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Parte 6

Falar de música é um exercício não apenas excitante, mas honroso. A música resume-se a algo maior que um mero hobbie, ela torna-se uma ilustração da vida, uma interpretação da existência, uma fórmula de exprimir sentimentos ao público. Eu creio que se a música fosse tratada dessa maneira, toda a estrutura comercial perante essas vibrações sonoras iria ruir, junto com todo esse lixo que somos obrigados a nos esquivar de ouvir nas rádios e na televisão – com raras restrições.
Mas a música já foi tratada de uma maneira ainda mais sublime do que a qual escrevi. Mozart, Wagner, Bach, Strauss, e por fim, Beethoven são grandes evidências que me fazem comprovar que a música é algo divino, mágico. Não digo apenas no gênero clássico, mas realmente, hoje, é complicado de fazer menção a alguma banda ou cantor em especial. Talvez, pela minha cultura, eu pudesse incluir músicos regionais que executam frevo, mpb e até mesmo o samba.
Como o sujeito em questão é Ludwig van Beethoven, um compositor genialíssimo que há meses tem proporcionado momentos de deleite ao meu espírito, podemos encontrar esse documentário da BBC sobre parte de sua vida. A BBC tem uma forma bastante agradável de tratar figuras ou fatos históricos em seus relatos (como foi o caso de Charles Darwin), e nesse momento, não foi muito diferente. Embora eu possa dizer que o documentário não é fascinante historicamente falando – pois há sempre um ímpeto de tornar heróico um personagem – ele o é interessantíssimo para quem quer conhecer as músicas de Beethoven e o que de certa forma passava por sua cabeça, já que basearam-se nos escritos do próprio pianista e de seus contemporâneos para montar a história.

Então eu considero o documentário acima um must-see não apenas para os que conhecem a história ou as composições de Beethoven, mas quem sabe, principalmente para aquelas que ainda não o conhecem e podem se deixar levar pela harmonia de suas músicas. Espero então, que com o tempo, a música volte a ser respeitada, pois, hodiernamente, não consigo conceber idolatrias a uma máquina comercial com roteiros pré-definidos em introdução-verso-refrão-verso-refrão-outro-fim, artistas essencialmente postos por estética e talentos verdadeiros depositados de lado. Para não criar polêmicas, não citarei nenhum artista em especial, mas a grosso modo, incluiria todos que tocam na rotina contemporânea.

Por Italo Lins

Os Números da Guerra

Aproveitando o feriado prolongado, durante uma conversa sem muitas pretensões filosóficas, um amigo pessoal de longas datas resolveu me mostrar este site. A matéria relatada trata do brutal investimento de certos países na indústria bélica. Em outras palavras, a indústria do armamento militar.

Acredito não é uma surpresa o fato dos Estados Unidos estarem liderando o ranking dos gastos em armas; por mais que os 607 (seiscentos e sete) BILHÕES de dólares anuais sejam parte de uma cota elevada. Se torna ainda mais evidente o alto valor do investimento quando comparamos aos outros países, pois, há uma diferença de 546 (quinhentos e quarenta e seis) BILHÕES de dólares em relação à segunda colocada, a República da China.
Entretanto, sendo o mais objetivo possível, se formos analisar os valores dos investimentos em armamentos baseados na percentagem do PIB (Produto Interno Bruto) de cada país, percebemos que não é um absurdo, por parte dos Estados Unidos, os 4% sugados pelo governo. É deprimente observar que países asiáticos os quais estão passando ou passaram recentemente por guerras civis como Myanmar, Jordânia e Geórgia – este é considerado país Europeu e passou por conflitos contra a Rússia, estão levando a indústria bélica a sério.

Em relação ao número de militares, a China obviamente lidera o ranking por ser um território habitado por quase 2 bilhões de pessoas (sim, atualizem seus livros de geografia humana).

E em uma proporção, para cada 100.000 (cem mil) habitantes, na Coréia do Norte (a comunista), há 24.728 (vinte e quatro mil, setecentos e vinte e oito) pessoas que estão aptas a participar de guerras no papel de soldados, reservistas ou paramilitares.

Com um pouco de interpretação de gráficos, é possível retirar mais informações das imagens acima. Porém, o meu objetivo é mostrar que outros países estão investindo fortemente em armamentos, mesmo que muitos deles, para utilização interna em guerras civis. Por mais que os números estejam mostrando que os Estados Unidos investem uma parcela razoável de seu PIB em armamentos, não deixa de ser um absurdo a quantia utilizada para tal fim; o que nos faz concluir que, além de gerar lucros absurdos, a indústria militar tem como objetivo a manutenção ou até mesmo a ampliação deste cenário de caos constante.
E até não sei se alguém chegou a se perguntar: e o Brasil, onde fica nessa história? Posso dizer com consciência que, quando projetamos perante a América Latina, o único grande embate poderia ser contra a Venezuela de Hugo Chavez (que por questões internas e externas, tenta amedrontar os Estados Unidos), mas e perante o mundo? Bem, eu fico feliz em saber que não há tanto investimento em armas e que a política externa feita pelo nosso presidente é um meio saudável de se resolver a questão, já que não somos um país preocupante em termos imperialistas. Mas, como todos sabem que somos um país rico, por que não há investimentos maciços em educação e saúde, já que a nossa prioridade não é militarmente defensiva?

As imagens são traduzidas em números e é assim que a matemática funciona. Mas, no mundo no qual vivemos, é necessário ter uma visão crítica, relativista e humanista da situação. Na matemática, duas pessoas e um prato de comida resultam em meio prato de comida para ambos os humanos. Na realidade, duas pessoas e um prato de comida ocasionam em uma pessoa saciada e outra morta pela fome. Pense nisso.

Por Italo Lins

Qual a sua Concepção de Educação?

Eu entendo a educação como um instrumento e um processo; além de conseguir dividi-la em outros dois grandes aspectos: institucional ou empírica. O progresso moral e intelectual, para mim, tem uma relação de dependência com a educação, pois eu acredito que não há habilidades ou conceitos pré-definidos (ou inatos) ao homem. Então, como se o nosso cérebro fosse uma esponja, a educação torna-se um elemento fundamental em qualquer sociedade, já que um de seus objetivos principais é de interação entre cidadãos. Entretanto, há várias maneiras de se educar, inclusive “erradas”; educações falaciosas como as religiões, em minha opinião, são como fungos que se alimentam da cognição e da espiritualidade humana, mesmo quando aparentam ser um alicerce para a harmonia social.
A educação enquanto instrumento engloba os atos de ensinar e aprender. Esses atos podem ser executados por instituições ou pelas vivências em sociedade. As instituições responsáveis pela educação (escolas, universidades, etc) apesar de válidas para a formação humana por ensinarem matérias como física ou matemática são decadentes, pois seguem o lema “formação para o mercado de trabalho”. Com isso, não existe o telos (um fim em si mesmo) do conhecimento, fazendo com que a rotina educativa seja deturpada e alienante, apesar de válida. Já a educação empírica, ou seja, aquela produzida por uma visão do dia-a-dia, se dá de maneira praticamente automática. Carregada de pré-conceitos e tradições muitas vezes equivocadas ou errôneas, o conhecimento empírico, hodiernamente, é incisivo na formação de um cidadão, sendo de extremo valor quando a sociedade está suficientemente intelectualizada; em outras palavras, a educação empírica para ser proveitosa necessita de uma boa formação da educação institucionalizada.
A educação enquanto processo é um sinônimo de finalidade. E dependendo de sua ação enquanto instrumento – se positivo ou negativo, pode ser válida ou inválida. No caso válido, eu considero a educação como uma formação filosófica relacionada com o conceito de verdade ou coerência científica. Apesar de científico, esse conhecimento coerente não pode desvalorizar a dignidade humana, pois, como somos seres sociais, o respeito mútuo deve obrigatório, ou seja, a educação válida agrega-se à ética. Para explicar melhor a “questão da coerência” é necessário abordar o instrumento inválido. A educação torna-se inválida quando suas raízes estão fincadas em fantasias. Não no sentido utópico como a “República” de Platão, a qual serve de inspiração, mas quando ela extingue o telos, a exemplo das religiões que interpretam erroneamente o cristianismo, ao se agregar questões como “salvação” ou “punição” como recompensa de se fazer o bem.
Para mim, a educação deve, necessariamente, ser institucionalizada. Entretanto, não a fim de reproduzir o conhecimento da elite, mas sim, como um instrumento que possa levar todos a serem filósofos no sentido lírico da palavra: amantes do saber. E com esse saber em mãos (entendendo a ética), a prática e união social seriam indissociáveis e automáticas, pois quando o homem entende o bem, dificilmente produz o mal. Mesmo ambos sendo armas cognitivas produzidas pelos homens em nossa existência puramente niilista (sem significado).

Por Italo Lins