O Manual de Instruções da Vida

Como sabiamente relatava Heráclito de Éfeso mais de dois mil anos atrás, “a natureza gosta de ocultar-se”. O que existe de mais natural na realidade que a vida? Há milênios, como pode-se perceber, os humanos procuram apreender o porquê de sua existência e seu lugar no mundo, e ao perceber que tal resposta encontra-se distante de sua capacidade cognitiva, começa-se uma onda de especulações Nesse ponto nascem concepções sobre a metafísica, que em nossa sociedade aparece fortemente agregada às religiões e até mesmo em livros/palestras de auto-ajuda ou filosofias mascaradas – embora em lato sensu “metafísica” vai muito além das divagações religiosas.
Eu percebo então que todas essas interpretações da vida (religiões, falsas filosofias…) são unicamente uma especulação em forma de válvula de escape, ou em outras palavras, uma maneira de canalizar o desespero do homem frente à sua perplexidade em relação à natureza. Principalmente quando nos damos conta que “o jogo da vida começou antes de nós termos nascido”. Entretanto, como é facilmente perceptível, há inúmeros pontos negativos relacionados a essas teorias como a dominação intelectual e a dominação social. Mas eu não agrego características unicamente ruins às religiões, pois, como afirmava William James, a concepção de Deus ou de deuses causa efeitos reais positivos na psyché dos homens. E esses efeitos podem ser de fatores éticos e existenciais. Mas essa ética cristã elimina por completo o conceito de enteléquia (um fim em si mesmo) da moral, pois notamos que, como na obra “Dias na Birmânia” de George Orwell, o bem não é feito pela vontade de fazer o bem e sim pela vontade de obter a salvação. Ou seja, a religião corrompe o homem. Mas o homem que não possui a moral, tem de ser “domado” de alguma forma para que possa conviver em sociedade.
E dentro das próprias religiões, como podemos observar no vídeo acima, há um certo medo de existir. A analogia dos armários do curta acima pode ser interpretada não apenas no âmbito religioso, mas em qualquer diferença existente entre os homens: culturais, sociais, físicas, morais, etc. E creio que a cabe a cada um de nós o respeito perante essas diferenças, mas sempre buscando algo universal entre os homens – que por sua vez, é a grande dificuldade da eminência da moral enquanto instrumento social, pois, não é complicado notar que a resposta da existência dos nossos seres permanece oculta, e assim permanecerá por tempo indeterminado.

Por Italo Lins

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