A subversão do Prometeu

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Frankenstein é a imagem perfeita do zeitgeist romântico por retratar todas as questões filosóficas, sociais, científicas, políticas e literárias importantes da época. Dessa maneira, Mary Shelley subtitulou a obra de O Prometeu Moderno, embora Frankenstein tem um papel mais de um anti-Prometeu: essa subversão intencional e necessária para que a obra se tornasse um mito moderno.

Aconselho ler o post de Italo para entender quem era o Monstro



O Romantismo foi um movimento que se espalhou em todas as facetas da sociedade. Seja o idealismo democrático que incentivou as revoluções Francesa e Americana ou a mudança de paradigmas artísticos contra governos autoritários e modelos clássicos para dar lugar a uma ênfase maior no individualismo e na expressão individual. Mary Shelley estava no epicentro dessa revolução¹. Portanto, ela não poderia deixar de desempenhar seu importante papel em unir as idéias mais influentes do seu tempo para criar uma obra-prima fundamental para o nosso mundo moderno.


Nossa humilde Mary Shelley, escrevendo Frankenstein no castelo de inverno de Byron, na Suíça



Em versões mais recentes da mitologia grega, Prometeu moldou a humanidade do barro, ensinando-os a viver em sociedade, além de entregar-lhes o fogo. Além disso, ele sempre foi tido como um rebelde perante Zeus. Junto aos humanos, chegou a enganá-lo², e foi castigado a ficar preso a uma rocha, onde uma águia viria bicar seu fígado pelo resto da eternidade. O mito nos mostra que Prometeu possuía imensa empatia com sua criação.


Estudo digital de Prometeu Acorrentado de Rubens



Mesmo que muitos elementos – fogo, descida do céu, conhecimento – sejam recorrentes entre os dois mitos, Frankenstein abomina sua criação. Esse é o ponto crucial que faz de Frankenstein uma obra tão única e poderosa: subverter um mito tão forte no inconsciente coletivo para dar lugar ao novo zeitgeist.


A regeneração da raça humana³ não poderia ocorrer caso não houvesse um mito tão forte a segurando. Mary conseguiu criá-lo na mesma medida que subverteu um mito tão antigo e dominante que está nas mitologias fundamentais do pensamento ocidental: a cristã e a grega.

 
 

¹ Mary Shelley era, basicamente, um gênio. Filha de um ex-padre que se tornou ateu e filósofo radical anarquista e de uma mulher extremamente politizada: escritora, educadora e filósofa, foi a primeira feminista da história. Se casou com Percy Shelley, influente poeta romântico e escreveu essa obra em um concurso simples que fez com seus amigos, entre eles, Byron.

² Certa vez, Prometeu fez com que os homens realizassem duas oferendas para Zeus: um estômago de boi cheio de carne e uma carcaça de ossos coberta de carne deliciosa. Ele escolheu a segunda, porque avaliou apenas o exterior das oferendas. Zeus, puto com Prometeu, tirou o fogo dos homens. Em resposta, Prometeu roubou o fogo e o entregou de volta.


 ³ Foi assim que Robert Southey definiu o movimento romântico 

 
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Frankenstein is a perfect portrait of Romantic zeigeist for it adresses to the most important philosophic, social, scientific, political and literary issues. This essay will argue that while Mary Shelley has subtitled it The Modern Prometheus, Frankenstein plays the role of rather an anti-Prometheus and that this subvertion was intended and needed to achieve the role of modern myth.
Romanticism was a movement that spread throughout all society: be it the democratic idealism that fueled French and American revolutions or the artistic mindshift against authoritarian governemnt and classical models to more emphasis on individualism and personal expression¹. Mary Shelley was in the center of this revolution². Therefore she could not help but play her role by gathering the most influential ideas of her time and create such a fundamental masterpiece.
In some later versions of Greek mythology, Prometheus fashioned humans out of clay, taught them civilizing arts and gave them fire. As a challenger of Zeus, he played a trick on a sacrificial meal³ which enraged Zeus, who took away the fire. Prometheus then stole it back and restored it to mankind. As an ultimate punishment, Zeus bound Prometheus to a rock where his liver was eaten by an eagle everyday. The myth shows us Prometheus had affection for his creation and cared for them.
Even though many elements – fire, descent from the sky, knowledge – are exactly the same, Frankenstein abhores his creation. This is the crucial point that makes Frankenstein so unique and powerful: to turn around so strong a myth in our unconscious to give place to our modern version.
The regeneration of the human race⁵ could not have happened had it not had a powerful myth to support it. Mary was able to create it as she managed to turn upside down an ancient myth, ocurred in both most influential mythologies of western world: Greek and Christian.

 
 
¹ KARBIENER, Karen. Introduction – Cursed Tellers, Compelling Tales – The endurance of Mary Shelley’s Frankenstein. Barnes & Noble Classics
² Her father was a former minister turned atheist, radical philosopher and supporter of anarchism; her mother, a feminist philosopher, educator, and writer. Wife of Percy Shelley and friend of Lord Byron.
³ Hesiod’s Theogony tells us that he placed two sacrificial offerings: a selection of beef hidden inside an ox’s stomach and the bull’s bones wrapped in “glistening fat”. Zeus chose the latter, setting a precedent for future sacrifices.
 The early versions of Prometheus are bound to Pandora’s box
 According to poet Roberth Southey 
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