Montaigne – Da potência destrutiva da tristeza

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Os estudos dos ensaios de Michel de Montaigne (1533-1592) são escassos e, em certos nichos universitários, sequer são considerados filosóficos. As razões para essa negligência costumam ser três: [1] a ausência de um sistema tripartido em lógica, física e ética; [2] o estilo ensaístico experimental; e [3] as temáticas de tom idiossincrático. Estas razões, ao contrário de serem um demérito, são os motivos pelos quais Montaigne é um autor valioso, uma vez que, a partir de conceitos, ele criou um novo estilo de se fazer filosofia; estilo este que influenciou a escrita e as ideias de filósofos como Blaise Pascal, David Hume e Friedrich Nietzsche, ao ponto em que este chegou afirmar que “O que [Montaigne] escreveu aumentou o meu prazer continuar a viver na Terra.”¹

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Retorno ao blog e anúncio de nova coluna

Quatro anos sem escrever no Animus Mundus. Quatro longos anos. Quanta coisa não aconteceu em nossas vidas de 2010 para cá? Certamente tantas coisas que só por conta da memória e da nossa imaginação podemos dizer que ainda somos as mesmas pessoas. No meu caso, e o que mais interessa ao leitor do blog, tenho agora um diploma de bacharelado em filosofia na pasta de arquivos, um mestrado na mesma área em andamento e uma bagagem mais consistente para tratar dos problemas que costumam ser postos neste blog. Essa bagagem mencionada não se resume somente aos livros que foram lidos, mas também ao que, na paráfrase do René Descartes, foi lido no próprio “livro da vida”. Então é pelo que aconteceu no passado e pelo que eu pretendo fazer no futuro que estou de volta ao Animus.

E, para recomeçar com o pé direito, estou trazendo uma coluna de cunho filosófico, mas que não tem um aspecto abstruso, isto é, que pode ser apreciada mesmo por quem não teve tempo ou disposição para se dedicar à leitura de autores clássicos como Aristóteles ou David Hume. Essa coluna receberá o título “Ensaios Críticos” e terá como objetivo a análise crítica de textos e temáticas como a solidão, a beleza, a amizade, etc. a partir de um autor em especial. É importante salientar que eu não pretendo somente interpretar e aceitar o que um autor específico (ah, preparem-se para muitos textos envolvendo Montaigne, Pascal, Hume e Nietzsche!) sustentou, mas ver até que ponto os seus argumentos são válidos e em que sentido eles nos auxiliam a ver coisas que, na pior das hipóteses, são dignas de nossa curiosidade.

Por fim, mais um ponto que é importante salientar é o caráter cético dos textos – o que mostra que este blog pode gerar reações diversas por parte do leitor, uma vez que o ceticismo não é exatamente a característica mais peculiar de todos os nossos colaboradores -, então esperem dos textos e de mim muito mais uma tentativa de colocar um problema em foco de forma nítida e com rigor conceitual, além de vários pontos de interrogação, do que respostas e receitas do que deve ser feito ou não. Eu não me considero um Kantiano (caso contrário, eu não poderia afirmar que não proponho deveres), mas levo a sério o seu projeto de saída da minoridade (clique aqui, caso não saiba do que se trata) que promove a ousadia de buscar saberes e, mais do que isso, ter a coragem de fazer uso do próprio entendimento.

Dessa forma, estou voltando para onde eu nunca deveria ter saído, e espero que vocês, leitores, possam continuar interessados nos textos e contribuir conosco na forma de comentários, sugestões e, principalmente, adicionando novas perguntas. Até a próxima postagem, e que esse seja o reinício de algo promissor!