Eu confesso

Mais uma colaboração de Fred Campos sobre a vida e seu(s) significado(s).

Eu vou te dizer algo que eu demorei para me dar conta, mas é tão óbvio. Tá em todos os lugares, sabe, você querer olhar ou não, pouco importa. Te invade. Mas a gente nega isso o tempo todo, eu não sei porquê.

Não sei, acho que isso é meio óbvio, meio babaca. Mas é tão difícil, cara, é tão foda, tão foda, que qualquer palavra superlativa que eu usar aqui não vai conseguir te dar uma ideia de como eu acho que é difícil. São aquelas pequenas escolhas, aquelas prioridades que você (im)põe pra você mesmo, que alteram mais profundamente sua vida, sabe? Aquele ínfimo segundo, aquela água que passa por ti no rio e nunca mais volta.

Mas ao mesmo tempo, sabe, isso não significa nada. Nada mesmo. Só um segundo? O que é que isso significa, sabe? Que merda, logo depois tem outro, e outro, e outro, e em um dia, quantos? Com tantos, como dar importância a cada um? Não dá. Não dá, nem precisa.

Sei lá, é tão complicado e ao mesmo tempo tão simples… é difícil dizer. Mas dá pra sentir; isso dá. Quando você tá deitado olhando pro teto antes de dormir, quando você tá olhando pro nada com o olhar congelado no tempo-espaço, quando toca aquela música junto com a brisa fria, quando a paixão transborda, quando o isolamento chega, quando o desespero invade, quando a alegria é demais, quando o sol se põe, quando a dor é lancinante, quando a mente sai do corpo, quando a vontade é vomitar, quando a lágrima é inevitável, quando você percebe tudo diferente. É nessas horas que você sente. E aí num precisa dizer nada.

E é pensando nessas coisas que eu falo aquelas outras: “tudo é tudo e tudo é nada”. É estúpido, é só um joguinho de palavras, mas também exprime tanta coisa que vai tanto além de palavras. Mas é. É confuso, tudo é uma coisa e outra oposta ao mesmo tempo, e não é nada, e é tudo. De novo, né? É que quando eu penso, sei lá, dói; mas não dói, porque vai passar e aí eu me ocupo com outra coisa, com outra palavra, com outra “obrigação”. “Obrigação” é o que a gente escolhe. Ninguém tem obrigação de nada. Somos sós. Não precisamos de ninguém além de nós mesmos; mas aí que tá a pegada: a gente precisa de todo mundo. De novo o joguinho… foi mal.

Mas é, que merda, cara. Esse segundo, esse momento, é tão único e tão inútil. É tão singular e precioso e é tão efêmero e sem sentido. Você sabe disso mais do que qualquer um, eu acho. Você sabe que são escolhas, você sabe que a gente que escolhe nossas “obrigações” e que é a gente que escolhe ao que a gente vai dar sentido. Ao mesmo tempo, a gente não escolhe, é engraçado. Simplesmente vem, e a gente precisa continuar vivendo, e a vida sempre continua, né. Sempre. E aí é difícil você pensar que depende do observador, sei lá, você meio que automaticamente assume que o universo existe independente de você; afinal de contas, o que é uma pessoa para o universo?

É uma merda, a impressão que eu tenho é que sempre acaba caindo lá naquela resposta: de que não tem resposta. Mas isso já é uma resposta. E tudo faz sentido demais, é só conspiração minha. Sou eu que tou escolhendo, mesmo sem escolher, ver assim. Acho que no final, tudo é tudo e tudo é nada, porque, sei lá, simplesmente não faz sentido. E daí, né, você sabe melhor do que qualquer um que sentido é a gente que cria.

E aí sempre, sempre tão inútil, sempre tão único. É demais pra lidar, cara. Eu confesso: não consigo.

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