Retorno ao Animus Mundus

Eu criei o blog Animus Mundus em meados de 2009, aos 18 anos, antes mesmo de iniciar a graduação em Filosofia, no Recife, minha cidade natal. A minha intenção, ao criar o blog, era a de escrever sobre assuntos sobre os quais eu tinha pouco domínio, uma vez que estava disposto a experimentar coisas novas, me forçar a pesquisar sobre um tema específico, refinar os meus argumentos e, também, formar uma comunidade de discussão online. Eu – e depois o meu amigo Eduardo Souza – escrevia sobre temas filosóficos e políticos, que iam da possível inexistência do mundo exterior até a notas sobre a legislação do porte de armas de fogo. Tudo isso era novidade para mim, e eu encarava com bastante entusiasmo o desafio de escrever sobre o que me era desconhecido. E, por um tempo, o projeto deu certo. Principalmente em 2010, quando o Animus Mundus teve um boom de visitas e foi indicado à categoria de “melhor blog do ano” – mas não que isso tenha tido qualquer importância para mim.

Hoje eu moro em Florianópolis, estou prestes a iniciar o meu doutorado em Filosofia, e muita coisa mudou de lá para cá. Entre as coisas que mudaram, ou melhor, que praticamente desapareceram da minha vida, está o blog. Eu abandonei o blog porque as universidades se tornaram a minha comunidade de discussão. Ao menos era isso que eu dizia a mim mesmo, mas esse é só um terço da história. Os outros dois terços foram o meu medo de escrever sobre assuntos sobre os quais eu não tinha conhecimento, e um belo de um transtorno obsessivo compulsivo. O medo era o de ser avaliado, academicamente, por textos que eram apenas experimentais, como se os meus colegas da universidade fossem ler os meus textos do blog e, depois, me julgar pelos raciocínios talvez pouco acurados ou não pertencentes a uma tradição filosófica mais ou menos analítica. O transtorno era uma obsessão por textos perfeitamente justificados – sim, estou falando do alinhamento: eu me sentia fisicamente mal em ver sobras de espaço ao final do alinhamento de uma frase, e me tornei ora incapaz de finalizar um texto, ora exausto por passar um tempo enorme mudando palavras por outras que se encaixassem no corpo do texto, sem qualquer sobra.

Se estou voltando ao blog, não é porque superei esses dois últimos problemas, mas porque eu preciso superá-los. Estou retornando ao blog porque quero voltar a experimentar, a escrever sobre coisas novas, a ter um encanto pela escrita livre. Ainda, eu tenho que vencer esse medo e tenho que me livrar desse perfeccionismo que busca coisas inatingíveis e que, na verdade, está me estagnando. E, se estou escrevendo tão claramente em primeira pessoa, repetindo tantas vezes a palavra “eu”, é porque eu preciso fazer isso para mim. O blog está de volta e ele certamente terá uma continuidade, uma vez que agora é uma questão de necessidade. Eu necessito dessa proximidade com a escrita. Eu necessito de um meio pelo qual eu possa ter a liberdade de falar sobre o que eu quiser, como eu quiser, inclusive, sem a paranoia de alinhamentos ou preciosismos com revisões gramaticais. É claro que eu tenho o comprometimento de fornecer boas justificações para as minhas afirmações, mas esse novo movimento do blog não é para ser avaliado, nem criticado, nem nada disso. Eu quero apenas uma comunidade de discussão. Compartilhar histórias. E, por fim, ter o prazer de tratar de temas que são tão importantes para mim, ao ponto em que preciso colocá-los em palavras e apresentá-los para pessoas que partilham do mesmo interesse.

No mais, é isso.

Vejamos aonde a história vai.

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