Koinophobia: o medo de ter vivido uma vida comum

Do grego koinos, “comum, ordinário, ausente de singularidade” + phobia, “medo”

O Dictionary of Obscure Sorrows produz um dos melhores conteúdos poéticos que vejo pela internet. Assim, decidi experimentar traduzir alguns de seus textos; embora o Youtube disponibilize legendas automáticas em português, vou tentar ser melhor que as máquinas. De qualquer modo, assistam aos vídeos, pois a edição das imagens é belíssima. Todas as imagens são de lá.

01

Enquanto você a vivencia, a vida parece épica. Uma chama tênue e imprevisível. Mas uma vez que ganha-se distância, tudo parece encolher, até que ela fica quase desfocada. Quando você olha sua vida em retrospectiva, ou tenta escrevê-la, você consegue vê-la melhor do que nunca. Mas ainda assim, ela parece de alguma maneira minimizada. Modesta. Quase peculiar.

Então você reassiste à sua vida, procurando por algo interessante ou belo.

02

Você vê uma casa comum, com um jardim comum, em uma rua comum. Eles parecem menores do que você lembra. Você vê que já teve sonhos inatingíveis e obstáculos e riscos pairando ao seu redor; agora eles, também, parecem menores.

Você se lembra dos gigantes e deusas e vilões, mas tudo que você vê agora são pessoas comuns, reunidas em seus minúsculos ambientes de trabalhos e salas de aula, cada um movendo-se em pequenos passos, como peças em um tabuleiro. Não importa quantas vezes você lance os dados, sempre se repetem esses mesmos pequenos movimentos, aqui e ali.

03

Realizar um trabalhinho, tirar uma folguinha. Fazer um amiguinho, ir a uma festinha. Sentir um tédiozinho, rebelar-se um pouquinho. Há tantos desses momentos-chave, eles deveriam representar alguma outra coisa. Você vai guardando e somando todos eles; mas ainda é como se tivesse algo que você esqueceu de contar; algum baú cheio de glória que caiu do seu caminhão.

Você pode abraçar a vida que tem por tudo que ela é. Você sabe que não é nenhuma quebra de paradigmas; você não mudaria nada. Talvez quando você começou a construir a vida que queria, você tenha deixado bastante espaço para o que poderia acontecer, e não se deu conta do que estava acontecendo.

04

Ou talvez você nunca a tenha vivenciado. Talvez você soubesse desde o começo que não era esse o mundo que você esperava. Um mundo tão baixo e comum; aquele do qual você tentou se afastar sobrevoando-o, onde ninguém pudesse menosprezar essa vida que você construiu.

Ninguém além de você.

Conteúdo original do Dictionary of Obscure Sorrows | Traduzido sob a licença de Creative Commons 2.0

 

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