Sombras

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Vejo minha vida como quem vê uma sombra. As sombras são o traço da ausência, porque delineiam na sensação o que está em outro lugar. Se minha vida fosse silêncio, seria presença, porque o silêncio – seja de angústia ou de felicidade – é o estar. Como sombra, nada está. Nada mais é ausente. A sombra é a única ausência sensível, pois todas as demais ausências são abstrações negativas do que é presença. A sombra é ausência afirmativa.

Meço assim minha vida, pela minha não-vida. Minha vida é apenas a sombra da vida que poderia ter tido – e poderia ter tido qualquer vida, melhor ou pior – mas é sempre sombra. É sempre ou melhor ou pior, nunca é apenas. Sinto uma saudade distante das todas as minhas não-vidas que são, mas angustio minha vida que não é. Que é apenas enquanto sombra, pura ausência sensível.

E para ser, o que te falta, Vida? Isso não se sabe, isso se é. E se se é como sombra, nunca se é apenas. Ó que alquimista fadado ao fracasso aquele que quer transmutar a sombra de algo em algo.

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