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Não sei o que dizer. Fico mudo, entre impassível e paralisado. Do futuro que me aguarda, nunca quis tanta distância, mas o tempo ainda marcha. Gostaria apenas de um estase, uma suspensão de tudo e passear pelo mundo inerte como quem flutua sem gravidade. Tirar a gravidade do mundo é suspendê-lo. Acabar com causas e consequências, com sintonias e dissonâncias – assim haveria de o tempo parar. Mas não. O tempo é uma avalanche, o tempo é a umidade nas paredes e os cabelos brancos nos homens. Ele passa invisível, insensível, sempre com promessas de amanhãs. Amanhã nunca há. Tudo é hoje. Até que hoje você cruza consigo na rua como quem cruza com quem há muito era conhecido. E você hesita, quase não reconhece, e não fala consigo, porque sabe que seus tempos já passaram.

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