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É quando eu deito, semiacordado, que os demônios da minha alma transbordam e inundam meu corpo. Me sinto mais do que cansado, sinto-os arranhar meus músculos e mastigar minha carne e depois cuspir no meu rosto, que cubro com os braços enquanto fecho os olhos para me proteger. Não gosto de olhar para eles. São familiares demais. Íntimos demais. Às vezes, eles gostam de segurar meu coração em suas mãos – não para amassar, nem arranhar, mas para apertar naquela medida calculada que os fazem sentir cada batimento ao máximo. Como quem aperta quem ama para se sentir mais uno.

Transmuto sensações em imagens para tentar exorcizá-las. Dificilmente faço porque gosto. Gosto de quando o Outro ideal o faz, mas se pudesse, não o faria. Ah, se eu me contentasse com a realidade dos sonhos. Mas a realidade trái os sonhos. Quando deixa de ser sonho e passa para realidade, passa pelo espelho do absurdo e fica quase irreconhecível. A realidade é um absurdo. É delírio e caos. A criação é sonho, são histórias. Quando se realizam, se desfazem.

 

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