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Perguntamo-nos baixinho, para que ninguém ouça. Por isso, vivemos assustados que alguém possa ler nossa mente: o que vão achar? Vão considerar-nos loucos? Ensaiamos gestos; não, performances inteiras dentro do íntimo. Algumas passam, tornam-se nós-para-os-outros, enquanto outras, natimortas, apodrecem na alma e tornam-se nós-para-nós-mesmos. Um é a vida, outro é a morte. Por isso, vivo morto: não consigo deixar de contemplar a inocência em decomposição daquilo que nunca fui. Por isso, também, não sei olhar a vida: só vejo nela reflexos da frágil carcaça óssea de dentro.

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