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Ai desses seres. Ai de toda a dor de sua existência. Por que delongar? Eles criam um tabuleiro e peças e regras e juízes e violações e vitórias e ferramentas e crêem que lá reside um significado mais profundo qualquer, seja o belo, seja a vida, seja a liberdade, seja a irmandade, seja a esperança. Qualquer vitória é só vitória dentro dele. E criam sombras e cavernas e fingem que há qualquer diferença entre eles. Antes não houvesse jogo, e aí poderia haver vida. Haveria de não haver metafísica. Haveria de não haver ficções, esses vultos de alteridade. Haveria apenas vontade, pulsão, gozo, alegria e sono. Não haveria abismos para preencher com a linguagem e ficções. Não haveria de contar os dias, apenas de vivê-los. Não haveria de ter dor senão aquela mansa do corpo, que, por ser do corpo, não é dor. Dor é apenas da alma. Do jogo, da farsa, da ficção, da mentira.

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