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Silenciado de não saber o que falar, um dia se repete em outro. Desloco. Saem de mim pouco mais que grunhidos, como que esforço para respirar, para continuar vivo. Estou sempre em outro lugar. Nunca parece que toco a existência. Eu é sempre além de mim. O sonho, mesmo que realizado, se vulgariza e apodrece. Vira realidade. O fato é imundo. O fato é servo obediente do tempo. Mas o tempo também me devora. Quero tirá-lo de mim, deixá-lo debater-se como o rabo de um lagarto. Quero desvestí-lo de mim, como uma cobra tira uma pele, e transcender a existência. Viver uma antirrealidade. O destino é pesado. É injusto. Deixo de viver e vivo como quem vive para além da vida, em uma antivida que sequer as palavras podem criar. Não sei vomitar a minha doença. Só a carrego, como um

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