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Faço o que deve ser feito, nada mais. Minha dor é que nada deve ser feito, salvo desexistir. E a desexistência é mãe da vergonha. Vago, então, pela vida fazendo o que querem que seja feito, seja lá quem for que queira. Antes, era eu. Hoje, sou mais nada. Se me apagassem, me satisfaria por ter sido apenas um risco leve na existência. Não sou risco profundo. Não marco. Sou um gesto fugaz, apenas, que o mero sopro pode apagar, ou mesmo uma simples respiração – pois o mais sutil é o mais patético. É necessária peso e força para estar presente, para ser vida. Todo frágil e todo excesso é descartável. E sou todo excesso. Sou excesso de ausência.

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