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Quem são esses vultos que vagam? Vultos humanos, sem propósito. Se cada vida é todo potencial desperdiçado, por que viver? Melhor seria não. Antípoda da esperança é o presente. Esperança é desperdício. Ouro à lama, água à areia. Deserto. Vagar. Obedecer. Resistir quando puder para enxaguar a culpa.

Mas nascem os agraciados. Quantas vidas inúteis para brilhar uma pérola? Quantos queimamos para dar espaço ao artista? Quantos artistas morrem para que um subsista? Quanto mais distância encurtar, mais individualizados. Que é a vida? O que é isso em que eu vivo?

Aquela mancha vem crescendo em mim. Sinto nascer da boca do estômago, uma antiluz que só devora energia. Não é quente, nem fria. É morte. A mão de sombras aperta o coração, ele acelera. Parece que tenta escapar, sair do agarrão, espremido.

A vida contemporânea não foi feita para ser vivida. Foi feita para ser consumida. Consumimos uns aos outros, todos os dias, e como todo consumo, deixa apenas o lixo. Transformamos um ao outro em lixo. Performatizando o tempo todos, esquecemos o que é estar fora do palco.

Corra. Corra. Corra. Nunca chegará a lugar nenhum. A natureza é não chegar. Como abandonar? Levar.

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