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Apenas a dor é sentimento íntimo e propriamente meu. Tudo o mais que sinto são afinidades ou dissonâncias com o que esbarra-me o mundo. Tudo o que almejo são anseios daqueles que já realizaram aquilo que nunca sonhei que poderia realizar-se. Tudo o que odeio são os anseios daqueles que já realizaram aquilo que nunca quis sonhar que se realizasse. As soluções entre os anseios alheios é que povoam minha alma. Mas algo de alquímico ocorre quando as condições apropriadas estabelecem-se e tudo isso transmuta-se em dor; aí sim tudo torna-se intimamente meu. O que desejo e o que odeio confundem-se em angústia que não consigo controlar, como não consigo controlar que minhas células se multipliquem, e, assim, são de repente eu, como me são minhas as células. Nisto e somente nisto é que me conecto ao real: coleto materialmente as possibilidades para fecundar dor na minha alma.

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