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A perda está no toque. Nenhuma realidade plausível jamais poderia ser comparada à infinitude da possibilidade. A distância do devir é a plenitude que a sensação jamais poderá alcançar porque perde-se a pluralidade do possível, esmagada ao fato. Fatos são números inteiros, possibilidades são palavras não lidas. O relevo do numeral 3 é toda evaporação da potência, mas toda palavra que não escrevo está no reino da possibilidade, em toda sua plenitude autônoma, pairando sobre a carne seca do real. Se há indivíduo que possa imaginá-la, sem nunca sequer murmurá-la, há toda plenitude nessa própria possibilidade de murmurá-la e não fazê-lo. Morre-se quando fala. Por isso, deve-se falar o que se quer matar: conjuramos a obliteração da sensação e da vontade quando nos pronunciamos sobre elas. Quando há necessidade visceral de falar, é o desejo implícito de despedaçar que aflora, repassando para outrem como um objeto amaldiçoado ou um pedaço de cadáver apodrecido.

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