(59)

Não saio do lugar. Quero desviar, virar a cara e fechar a boca para não tragar a dor. Não consigo. Fico paralisado, olhos brilhando, boca escancarada; quem me visse de fora acharia que estaria não só aguardando, mas com um misto de alegria e expectativa. Mas não. Não é possível me ver de fora. A prisão é meu íntimo. A luz da esperança não passa pelo vidro do desespero.