Schopenhauer e o Amor

Parte 2
Parte 3

“Nada na vida é mais importante que o amor (…) porque o que está em jogo é a sobrevivência da espécie” Arthur Schopenhauer.
O breve episódio acima – apesar de contar com uma trilha sonora entediante e um apresentador um tanto naïve – mostra fragmentos da vida de um dos maiores filósofos do século XIX.

O vídeo é menos explicativo que o necessário e composto por assuntos biográficos. Entretanto, mesmo considerando certos trechos irrelevantes e bobos, acreditei ser válido postá-lo porque dessa forma nós podemos entrar em contato com a cultura alemã do século retrasado incisivamente.

Entender a sociedade alemã do século XIX significa compreender as relações de sua filosofia com o meio que cercava a sua mente, levando-nos a analisar o seu comportamento perante algo às vezes tão inexprimível como o amor. Sentimento esse, martelado por Schopenhauer de uma maneira intrinsecamente biológica, chegando a bater às portas de um Darwinismo inconsciente sem hesitação.

Como de costume, uma quebra de paradigmas.

Por Italo Lins

Schopenhauer e o Barulho

Arthur Schopenhauer (1788-1860) foi, indubitavelmente, um dos maiores pensadores da filosofia alemã não apenas no século no qual viveu (século XIX) mas em toda a história da filosofia moderna e contemporânea. Suas idéias em mixórdia pessimista e realista chegaram a influenciar artistas brilhantes de distintas áreas de trabalho, partindo da filosofia, entrando no âmbito das ciências exatas e chegando à literatura, como Friedrich Nietzche, Albert Einstein e Léon Tolstoi, respectivamente.

O trecho narrado acima foi retirado da obra “Estudos sobre o Pessimismo” do próprio Schopenhauer, e o tema do estratagema em questão trata do “barulho”. Mas não uma simples interpretação do mesmo, mas uma visão do barulho perante seus efeitos produzidos à mente de um filósofo em pleno desenvolvimento intelectual. É necessário notar, entretanto, que se alguns exemplos (como o do chicotear) são estranhamente fora de época, é porque Schopenhauer morreu há praticamente 150 anos.

Por mais que bastante interessante, achei, muitas vezes, o texto um tanto quanto preconceituoso perante os que trabalham com atividades físicas. Concordo que a intelectualidade é uma virtude, mas não há razão de se colocar em uma posição de superioridade, mesmo se tratando de um pensador distinto como Schopenhauer. Eu acredito que cada um tem uma função primordial em uma sociedade, e que se de fato fizessem suas funções com qualidade (nesse aspecto mora o problema), teríamos cidades melhores e produtivas.

Percebemos então, um pequeno olhar “inside-out” dos pensamentos de um brilhante filósofo, que embora prepotente, conseguiu ganhar meu respeito por belas idéias relacionadas à figura humana. Negrito então, que não concordo com muitos de seus pensamentos, como visto em meu texto presente, já que a diminuição da imagem humana é desnecessária (por mais que certos atos alheios sejam estúpidos) e que a perfeição está no equilíbrio (o ódio e o amor são necessários, na minha opinião).

A nível de informação, podemos notar sua influência na mente de Nietzsche quando trazemos à luz a obra “Assim Falava Zaratustra”, a qual pregava a introdução de uma super raça humana (o que, entretanto, não se confunde com o regimes totalitários como o nazismo de hipótese alguma). Completando, a música de fundo neste vídeo, não por questão de coincidência, se chama “Rheingold”, de Richard Wagner, amigo e inimigo pessoal de Friedrich Nietzsche.

Por Italo Lins

O Dilema do Porco-espinho

Só para escutar.

O dilema do porco-espinho é uma analogia bastante simples, para explicar como ocorrem as relações interpessoais do ponto de vista emocional e psicológico. Ninguém menos que Schopenhauer criou esse dilema. O objetivo dele, entretanto, era um do qual eu discordo.

A situação é a seguinte: um grupo de porcos-espinho passam pelo inverno rigoroso, e, por isso, sentem a necessidade de calor. A mais instintiva das reações é que eles se juntem, para que, próximos uns dos outros, eles possam se aquecer mutuamente. Entretanto, como você pode observar na foto ao lado, de um porco-espinho, o advento dos espinhos que eles possuem em volta de si, ferem qualquer animal que se aproxime dele. Dessa maneira, eles se ferem para que possam satisfazer suas necessidades de calor.

Mais que obviamente, os porcos-espinhos são as pessoas. Os espinhos são metafóricos. Para efeito de analogia, são todos os nossos vícios, nossas vontades egoístas, nossos erros, nossa vergonha, nossos medos. Tudo aquilo que nos impede de nos aproximarmos de outrem, que nos impede de reconhecer outro ser humano como semelhante e igual. O calor, por sua vez, é a necessidade básica do ser humano de se relacionar com os outros, formar grupos, sociedades. Ou amizades, relações de amor eros ou philia.

Para (sobre)vivermos, de fato, é necessário que nos relacionemos com as demais pessoas da sociedade, seja pela necessidade pessoal, emocional, física, material, enfim. Precisamos do calor, para ultrapassarmos o inverno rigoroso que é a vida que nos assola. Schopenhauer, ao contrário de concordar com isso e se submeter, segundo si próprio, reconheceu ser diferentes dos outros bípedes que o rodeavam, e decidiu se isolar, intelectualmente falando. Ele disse que, se um porco-espinho conseguisse se esquentar o suficiente sozinho, não seria necessário buscar os demais.

“Como para mim as pessoas com quem vivo nada podem ser, meu maior prazer na vida são os pensamentos monumentais deixados por seres semelhantes a mim, que, como eu, uma vez vagueram por entre a gente do mundo.”

“(…) decidi dedicar o resto da minha vida efêmera totalmente a mim mesmo e, assim, perder o menor tempo possível com aquelas criaturas, a quem o fato de andarem sobre duas pernas, conferiu o direito de nos tomarem por seus iguais (…)”

Com toda sinceridade, é mais do que admirável essa capacidade que Schopenhauer teve de encarar sua natureza e, muito além de apenas viver à par disso, agir de maneira a aproveitar ao máximo a capacidade filosófico-intectual que lhe foi concedida.


Entretanto, não concebo a possibilidade de ocorrer tal situação nos dias de hoje. Mais do que nunca, a nossa sociedade é excludente, as pessoas, mais narcisistas (que provavelmente não significa o que você pensa; dedicarei um post para isso, nos próximos dias), e as regras sociais, mais rígidas. Quaisquer idéias que você possa ter de livre-arbítrio, liberdade ideológica, democracia ou variantes, são meramente ilusórias, e não resistem de fato a um pensamento mais crítico do que o necessário no dia-a-dia.

É extremamente necessário pesar, racionalmente, até que ponto vale a pena nos aproximarmos para buscar calor com os demais. Ainda assim, não acredito que valha a pena abdicar das pessoas, de sorrisos, de dor, de momentos. O pensamento que mais me vem à mente quando eu penso nisso é: o quão feliz foi Schopenhauer? É possível nos colocarmos em seu lugar? É justo dizer que a felicidade dele não existe, porque nós não podemos concebê-la em nosso mundo, com nossa mentalidade?

Por Eduardo Souza