Oblomovismo enquanto potência

Uma versão reduzida desse texto pode ser encontrada aqui

É uma coincidência interessante que Oblómov tenha sido traduzido diretamente do russo em 2013 pela Cosac Naify. A excelente nova tradução de Rubens Figueiredo de uma obra de 150 anos demonstra como a literatura é capaz de recontextualizar e ser recontextualizada. Portanto, embora a análise mais superficial do romance encare a inação do protagonista uma caricatura do declínio da nobreza com o fim da servidão na Rússia, defendo que ela pode ser encarada como uma estratégia de potência estética e resistência política, colocando-o ao lado do consagrado Bartleby de Herman Melville.

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O antimito de Aquarius

Há muito acontecendo em Aquarius. Seria exaustivo e incompleto listar os fios narrativos que compõem a trama cotidiana de Clara ou relatar o conforto com que Kleber Mendonça se utiliza da imagem cinematográfica para nos afundar nessa ressaca social. O filme, como obra-prima que creio que seja, resiste a todos os tipos de leituras e atitudes do espectador, desde aquele afogado pela fantástica cotidianidade da narrativa, até aquele que procura segurar-se à artificialidade da tela do cinema.

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Livro dos começos

Noemi Jaffe fia teoria estética, filosofia, literatura e existência em um livro que nos põe diante da irrealidade do real, com seus paradoxos e multiplicidades expostos – desde os começos.

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As fotos do livro foram retiradas do portfolio de Flávia Castanheira, designer do projeto gráfico

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